Crónica da final 2005/06: Quaresma oferece dobradinha no Jamor

FC Porto-V. Setúbal, 1-0. Um golo solitário de Adriano permitiu à equipa azul e branca festejar, pela 13.ª vez, a conquista da Taça de Portugal, frente ao Vitória de Setúbal. Co Adriaanse saiu consagrado do Jamor, mas teve de presenciar cenas lamentáveis de confrontos entre adeptos portistas e a polícia. Os sadinos saíram de cabeça levantada da segunda final consecutiva.

No minuto em que Pedro Emanuel, capitão de equipa do FC Porto , começou a subir as escadas do Estádio Nacional, no Jamor, para receber a Taça das mãos do Presidente da República Cavaco Silva, tudo o resto virou pó. Os acontecimentos, bons e maus, que antecederam esse momento dissiparam-se na memória dos adeptos presentes e... mesmo dos que ficaram presos ao televisor ou à rádio. Para a história ficou o golo solitário de Adriano, que ofereceu a 13.ª Taça de Portugal aos dragões, que assim festejou a quinta dobradinha da história do clube.

Mas, hoje, nas conversa de café alguém perderá alguns minutos a comentar o fraco espectáculo de futebol jogado nos primeiros 45 minutos. De tal modo que as atenções viraram-se para as bancadas e não pelos melhores motivos. O golo de Adriano espoletou uma euforia estranha na zona onde se encontravam as claques do FC Porto , com os adeptos a festejar lançando cadeiras pelo ar e a envolverem-se em confrontos com a polícia.

Por mais vezes que Pinto da Costa chame a atenção para as fracas condições de segurança do "Estádio de Oeiras", os responsáveis Federativos continuam a fazer orelhas moucas. Mas a cada edição da prova há um motivo para a relembrar. Ontem, o vermelho sangue foi a cor da vergonha.

Apesar de tudo, a maior parte dos que se deslocaram ao estádio fizeram questão de mostrar que a Taça é uma festa fora de série e sem igual. As bancadas revestidas de azul, do lado norte, e verde, no lado sul, trouxeram cor e vida a um estádio "despido" durante 364 dias por ano. Cor que as equipas se esqueceram de avivar no relvado.

O treinador do FC Porto Co Adriaanse ofereceu a titularidade a Anderson e Alan, deixando Jorginho e Raul Meireles no banco, mas o jovem brasileiro revelou falta de maturidade e má condição física para uma final da Taça .

No Setúbal, o homem que ergueu a Taça na época passada, Hélio, estava sereno no banco dando indicações à equipa para jogar "à Mourinho", ou seja, todos atrás da linha da bola. Uma táctica que só não foi eficaz porque Carlitos, com um remate de fora da área, atirou à barra, minutos antes dos dragões chegarem ao golo.

Pouco depois, Adriano correspondeu da melhor maneira ao cruzamento milimétrico de Quaresma e colocou a equipa portista em vantagem. Mesmo sabendo que não vai ao Mundial, e com Scolari a ver na tribuna VIP, o extremo mostrou que cruza como ninguém, como que a pedir que o deixassem experimentar servir Pauleta.

O intervalo chegou e ainda a polícia se debatia com adeptos nas bancadas. Para bem do futebol, o espectáculo melhorou no segundo tempo... e de que maneira. A equipa de Adriaanse entrou ainda mais pressionante, mas mais uma vez foi o Vitória de Setúbal o primeiro criar perigo, através de um portentoso remate de Bruno Ribeiro, a obrigar Helton a realizar uma grande defesa. Baía bateu palmas do banco. Mas a ovação da tarde foi para Quaresma, substituído por Jorginho a meio da segunda parte. O jogo entrou, depois, numa fase vibrante e Carlitos, sempre ele, voltou a causar calafrios a Helton.

Do outro lado tornava-se gritante a displicência com que os jogadores portistas falhavam o segundo golo. E a tranquilidade só chegou com o apito final, que confirmou a dobradinha do FC Porto , que assim juntou a conquista da Taça ao título nacional.

Adriaanse foi consagrado e Jorginho levantou a Taça pelo segundo ano consecutivo, ele que na época passada venceu na final o Benfica com a camisola sadina. A época acabou assim em tons de azul vivo.

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