Prostituição coloca FIFA sob fogo do Conselho da Europa

O deputado Mendes Bota (PSD) não temperou as palavras: "O Mundial 2006 arrisca-se a ficar para a história como o maior bacanal de sempre". As palavras do social-democrata, mais agressivas, sublinham a posição do Conselho Europeu, cuja Assembleia Parlamentar exigiu ontem à FIFA para controlar o previsível foco de prostituição forçada que ocorrerá na Alemanha durante o Mundial 2006 . Joseph Blatter riposta com as mãos vazias: "Cabe à Alemanha tratar disso, não à FIFA".

O presidente da FIFA acabou por ser pressionado a falar ontem, novamente, sobre o assunto, após algumas reacções tão contundentes, embora menos condimentadas, como as do político social-democrata. Mendes Bota falou ao nível das projecções que apresentou: nas 12 cidades que acolhem a prova deverão circular 400 mil prostitutas, 30 por cento acima do normal na Alemanha.

"O presidente da FIFA, Joseph Blatter, lava as suas mãos do casamento entre o Sr. Futebol e a Sra. Prostituição", continuou. "A FIFA deveria condenar sem reticências a associação entre futebol e prostituição forçada". O parlamentar compromete-se a pedir ao Governo português que ratifique a Convenção do Conselho da Europa para a Acção contra o Tráfico de Seres Humanos.

As críticas prosseguiram na sessão de ontem do Conselho da Europa. A socialista suíça Ruth-Gaby Vermot-Mangold alinhou com Mendes Bota. "Blatter será cúmplice se não denuncia estas práticas", atirou.

Mas Blatter manteve-se firme, apesar da FIFA, reconhece, ter ficado com as caixas de correio electrónico entupidas de protestos - "creio que de mulheres". O presidente, mesmo confrontado com números menos grossos do que os do eurodeputado português - as ONG falam entre 30 a 60 mil mulheres potenciais vítimas desta forma de "escravidão moderna" - manteve o cepticismo. E o encolher de ombros. "Primeiro, não tenho a certeza que seja verdade; segundo, o governo alemão foi alertado pela FIFA disso. Mas a FIFA não pode intervir num assunto interno do organizador do Mundial ", concluiu o suíço.

O Conselho da Europa mantém as dúvidas. "A posição fechada da FIFA não se consegue perceber", remata o socialista francês Jean-Pierre Kucheida.

Telégrafo do Mundial

Hiddink Depois do Mundial , Guus Hiddink vai orientar a Rússia durante dois anos e receber dois milhões de euros. Antes, o treinador holandês acaba a época campeão no PSV Eindhoven e orienta a Austrália na Alemanha.

Frankenstadium As bancadas do estádio de Nuremberga, orçado em 56 milhões de euros, foram reforçadas com barras de aço, depois de terem cedido em Outubro. O recinto está pronto para acolher cinco jogos durante o torneio.

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