Mourinho entra no Real Madrid campeão europeu

Treinador português já deu o sim a Florentino Pérez para um contrato de quatro anos, com um salário de dez milhões/ano.

José Mourinho vai entrar no Real Madrid como queria. Campeão europeu. O treinador confirmou após a conquista da Liga dos Campeões que esse será os seu destino e que os dirigentes madridistas já falaram com o seu empresário, Jorge Mendes. O contrato, segundo a imprensa inglesa, será válido por quatro épocas à ordem de dez milhões de euros/ano. A partir de agora, faltará apenas o entendimento entre Real e Inter, Florentino e Moratti. Mas este não deverá sequer dificultar a oficialização da transferência. Até porque Mourinho lhe deu o presente de despedida que mais desejava: a taça que permite a Moratti repetir o feito do pai, o último presidente campeão europeu pelo Inter, em 1965.

No final do jogo, José Mourinho foi claro: "Quero ganhar a Liga dos Campeões por três clubes diferentes. Quero um outro desafio."

Mal soou o apito final, deu indicação do seu futuro ao dirigir-se para onde estavam os tifosi do Inter. Acenou-lhes, emocionado, em jeito de anunciada despedida. Antes disso, ainda antes do apito final de Howard Webb confirmar a sua entrada no Olimpo dos treinadores da Champions - juntou-se a Ernst Happel e Ottmar Hitzfeld no trio de técnicos que já ganhou a prova por dois clubes diferentes -, o português fez questão de ir cumprimentar Louis van Gaal, o seu antigo mestre em Barcelona.

Desta vez Mourinho festejou a sua conquista no palco de todos os palcos das competições europeias de clubes. Ao contrário do que acontecera em 2004, com o FC Porto, quando mal tocou a taça e recolheu aos balneários, já com contrato com o Chelsea e uma relação azedada com a estrutura portista. Desta vez não foi assim. Mesmo com a saída para o Real Madrid acertada há muito na sua cabeça, Mourinho e o Inter souberam entender-se e respeitar-se para uma despedida festiva. Desta vez, com tudo a que tem direito o mais bem-sucedido treinador da história do futebol português.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?