Os homens por trás do treinador

"Mérito é dele, nós só executávamos o que nos pedia", diz quem já trabalhou com o 'Il Speciale'

Consagrado como campeão europeu com o Inter, José Mourinho está no topo do mundo e tem como próximo destino, já amanhã, o Real Madrid. Tornou-se numa espécie de treinador-modelo, desde que catapultou o FC Porto para a ribalta europeia.

Em todo o caso, será o trabalho de Mourinho mérito individual ou caberá à sua entourage uma quota-parte do sucesso? Quem já trabalhou com ele, concorda que é necessária uma equipa técnica forte para acompanhar o mestre, porém, os méritos vão exclusivamente para um líder que assenta o seu trabalho numa metodologia de treino inovadora (pressing e posse de bola) e numa relação de proximidade com os jogadores… E por mérito próprio, como confessam os que podiam reclamar uma maior dose de relevância para si.

Baltemar Brito, adjunto de José Mourinho no FC Porto (de 2001/2 a 2003/4) e no Chelsea (de 2004/5 a 2007/8), revela ao DN que a relação entre Mourinho e a equipa técnica era sempre feita na perpendicular e com total assentimento dos seus colaboradores. "Os treinos são preparados por ele. Tudo saía da cabeça dele e passava pela sua mão, nós só executávamos o que ele pedia", explica o brasileiro, cujo contacto com Mourinho o fez mudar a perspectiva sobre o futebol: "Quando era jogador, os treinos eram a matar e os jogadores não gostavam. Portanto, quando terminei a carreira e passei a treinador pensei que a solução fosse dar treinos com bola. Foi o contacto com Mourinho que me fez perceber que se podia motivar os jogadores de forma diferente. Ensinou-me exercícios sempre um determinado objectivo… Aprendi muito com ele", conta Baltemar, que fez parte do núcleo duro de Mourinho até o português ingressar no Inter.

A opinião é corroborada por Carlos Mozer, que ocupou precisamente as funções de adjunto na equipa técnica de Mourinho aquando do seu início de carreira, numa curta passagem pelo Benfica. O ex-internacional brasileiro sublinha a capacidade de "organização, controlo e sabedoria" que o técnico do momento impõe no dia-a-dia. "Nunca conheci ninguém capaz de controlar tão bem um grupo. Ele dava-me a responsabilidade de assumir algumas tarefas com os jogadores, mas é lógico que as orientações partiam dele e nós acedíamos sempre devido à grande capacidade que ele demonstrava. Exi- gia o máximo respeito dos jogadores para com toda a equipa técnica. Além disso, sempre me impressionou uma coisa: ele tem respostas para tudo e questões para tudo", sublinha Mozer, que salienta também a preponderância de Mourinho na sua carreira como técnico principal: "Foi ele que me influenciou a tomar a decisão de ser treinador e muitos exercícios que aprendi com ele introduzi nas equipas em que trabalhei."

Os dois brasileiros já não fazem parte do grupo de Mourinho, em que se mantêm praticamente desde o início o preparador físico Rui Faria e o treinador de guarda-redes Silvino Louro (ver destaques). Porém, Mozer e Baltemar assumem--se como seguidores dos ensinamentos do mestre e querem aplicá-los como treinadores princi- pais. Tal como André Villas-Boas, que carrega aos ombros com maior proeminência o papel de discípulo do Special One, uma aura especial que lhe permite aos 32 anos e tendo apenas uma curta passagem na Académica como técnico principal ser alvo de muita cobiça.

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