Sericaia 1 - Euro 0

Sim, eu sei. Estão vocês a pensar: esta outra vez a escrever sobre futebol? Não tinham mais ninguém para fazer o papel-da-gaja-que-não-pesca-nada-disto-mas-consegue-escrever-dois-mil-caracteres-semanais-a-dizer-que-não-pesca-nada-disto? Pois parece que não. A outra hipótese, para a qual aliás me inclino (a ponto de quase perder o equilíbrio) é de que isto sucede só para me prejudicar. Isto, a coluna, mas isto o Euro também. Ainda pensei que era suposto escrever só enquanto Portugal está em jogo, mas informaram-me, com um sorriso malvado, que é durante todo o certame. Portanto, habituem-se, que é o que eu estou a tentar fazer.

Ora não tendo visto um único jogo, não sabendo quem integra os grupos, não conhecendo os favoritos e nem sequer podendo opinar sobre a estética dos jogadores, resta-me falar sobre coisas sérias. Como por exemplo os ovos com espargos bravos mais a entremeada grelhada em vinagrete e a massada de perca que tinha à frente quando estava a dar, creio, o Rússia-República Checa. Compreensivelmente, só me dei conta da identidade das equipas quando a pessoa que me estava a servir tais delícias, e que é também o dono do estabelecimento - o restaurante Olivença, em Ponte-de-Sor - onde as degustava, me informou. Fiquei com a ideia de que a Rússia ganhara, mas assim vagamente, porque estava a tentar perceber quando chegaram as sobremesas, capitaneadas por uma magnífica sericaia (a melhor que já comi na minha já, hélas, longa vida), coadjuvada por um doce de castanha absolutamente imperdível, e varreu-se-me qualquer vestígio de sentido do dever. Ainda assim, reparei num teledisco da Marinha portuguesa que põe qualquer caricatura dos humoristas portugueses num chinelo. Espero que aquilo passe nos canais normais, porque não tenho nem tenciono ter Sport TV e aprecio de chorar a rir.

E o jogo da dita "nossa selecção", perguntais vós. Pois também não vi. Mas ouvi um bocadinho, a caminho de uma festa de anos em Leça (sim, sou muito viajada). Dá-me ideia que perdemos (é na primeira pessoa do plural, não é?). Depois ouvi o Paulo Bento a explicar que sucede sempre jogarmos bem e perdermos. Não percebi, mas eu não percebo nada de futebol.

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