Espanhóis queriam Ronaldo e agora vão tê-lo

Espanha vence a França sem grande dificuldade, com um "bis" do herói improvável, Xabi Alonso. Espanhóis já não perdem em Europeus desde 2004, ano em que foram derrotados por... Portugal.

Portugal vai defrontar a Espanha nas meias-finais do Euro 2012, depois de os espanhóis terem derrotado a França por 2-0, este sábado, no terceiro jogo dos quartos-de-final da competição. Os dois golos de Xabi Alonso conduziram os espanhóis ao duelo ibérico que todos pediram, muito por causa de um tal de Cristiano Ronaldo, habituado a encher manchetes em Espanha por bons motivos. Desta vez, contudo, o objetivo será o contrário.

Mais uma vez, a Espanha dispensou o uso de ponta-de-lança e jogou com Fàbregas solto no ataque. Mas nesta seleção não é necessário um goleador para fazer golos. Xabi Alonso foi a grande figura da roja nesta partida, disputada em Donetsk, uma vez que cumpriu a 100.ª internacionalização ao serviço da sua seleção. Ele fez de tudo: correu, passou, desarmou e até fez de ponta-de-lança, aos 19 minutos, quando finalizou de cabeça um cruzamento de Alba e deu vantagem à seleção espanhola.

A Espanha fez o que queria: marcou praticamente na única oportunidade que teve para se adiantar no marcador durante a primeira parte e, depois, limitou-se a reter a posse de bola na 'teia' do meio-campo, que Paulo Bento já sabe que terá de rasgar se quiser derrotar os campeões europeus e mundiais. A França não o conseguiu fazer, mas na verdade não fez nada para isso: Laurent Blanc entrou em campo com cinco defesas de raiz e abdicou da magia de Nasri, que tanta falta fez durante largos minutos. Tudo para defender, nada (ou apenas um irreconhecível Benzema, que sai do Europeu sem qualquer golo) para atacar.

A França raramente incomodou Casillas, mas na verdade a Espanha também tardou em "matar" o jogo, ainda que seja justo realçar que os espanhóis nunca se mostraram interessados nisso. Em 45 minutos, fizeram mais passes do que Portugal faz, em média, em 90 minutos, mas a França pressionou pouco e fez ainda menos para contrariar a tendência do jogo. A 'machada' final no jogo foi dada com naturalidade, em cima do minuto 90, por Xabi Alonso, na conversão de uma grande penalidade.

Portugal e Espanha vão defrontar-se quarta-feira, precisamente no mesmo estádio onde a roja triunfou diante da França. É natural atribuir o favoritismo aos espanhóis, mas na verdade nuestros hermanos também têm más recordações de Portugal, a começar pelos humilhantes 4-0 sofridos na Luz, em novembro de 2010. Era um jogo particular, mas oito dos titulares espanhóis nesse jogo também defrontarão Portugal nas "meias". Além disso, a última vez que a Espanha perdeu em fases finais de Europeus foi... contra Portugal, no Euro 2004, em Alvalade. O golo foi de Nuno Gomes, cujo recorde de golos foi, entretanto, deixado para trás por Cristiano Ronaldo. E é o CR7 que os espanhóis temem, com boas razões: o que os adeptos portugueses viram Ronaldo fazer nos últimos dois jogos, eles viram-no fazer todo o ano no Real Madrid.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?