Espanhóis suspensos 2 anos por doping na Volta a Portugal

A União Ciclista Internacional (UCI) anunciou a suspensão por dois anos de Hector Guerra e Isidro Nozal, por doping na Volta a Portugal do ano passado. Além destes dois ciclistas espanhóis que competiam pela Liberty Seguros, falta apenas conhecer as sanções para os casos de dopagem do vencedor da prova, o português Nuno Ribeiro, corredor da mesma equipa, e do espanhol Eladio Jiménez Sanchez, atleta que representou o Centro de Ciclismo de Loulé e foi sexto classificado.

Quando anunciou as suspensões preventivas de Guerra, Nozal (na foto) e Ribeiro, em Setembro do ano passado, a UCI explicou que se deviam à detecção de CERA, eritropoietina (EPO) de acção prlongada, detectada pelos laboratórios antidopagem de Lausana e Paris, em amostras de sangue colhidas aos três ciclistas a 3 de Agosto, dois dias antes do início da prova.

Foi precisamente nesta data em que começaram a contar as suspensões definitivas dos espanhóis da Liberty Seguros, equipa extinta devido a estes casos. A UCI indica no seu site que os resultados desportivos obtidos por Guerra e Nozal a partir de 3 de Agosto foram anulados; o primeiro ciclista foi ainda multado em 17.499,97 euros, o segundo em 35.000,78.

Já a sanção a Nuno Ribeiro deverá ser decidia nos próximos dias pelo Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Ciclismo, adianta a Lusa. Nas mãos da sua congénere espanhola está o processo de Jiménez, que acusou EPO recombinante num controlo realizado a 12 de Agosto, dia em que foi primeiro classificado numa etapa com um prémio de montanha de segunda categoria à chegada, no Monte da Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso. Jiménez fez parte de um grupo de ciclistas espanhóis que acabou por vir para equipas portuguesas, depois de ter deixado de ter lugar nas formações de elite, por ter sido cliente da rede de dopagem liderada pelo médico Eufemiano Fuentes. A esmagadora maioria dos 56 ciclistas suspeitos não foi punida porque o juiz de instrução da Operação Puerto proibiu a utilização, pela justiça desportiva, das provas do processo criminal.

Atletas surpreendidos pela ciência

A EPO sintética é proibida no desporto porque manipula o rendimentos dos atletas, ao estimular a produção de glóbulos vermelhos, que transportam mais oxigénio para as células e adiam o cansaço. Os cientistas antidoping esperavam que a CERA não despertasse interesse entre os atletas, porque a molécula tem uma semi-vida mais longa, logo, é detectável por mais tempo.

Mas vários foram surpreendidos quando a ciência encontrou forma de detectar a CERA, apesar de ser complexa e cara e realizada apenas nos laboratórios de Lausana, na Suíça, e de Paris, em França, sendo necessário que um laboratório confirme o resultado do outro antes de um exame ser declarado positivo.

Na Volta à França de 2008 foram detectados vários casos de doping com CERA (Bernhard Kohl, terceiro classificado da geral e melhor trepador, Stefan Schumacher, Riccardo Riccò e Leonardo Piepoli) e no mês seguinte, em Agosto, foram apanhados mais batoteiros, durante os Jogos Olímpicos de Sydney 2000: Rashid Ramzi, medalha de ouro dos 1500 metros, Davide Rebellin, prata na prova de estrada do ciclismo, novamente Stefan Schumacher, Athanasia Tsoumeleka, campeã olímpica dos 20km em Atenas 2004, e Vanja Perisic, especialista dos 800m.

No ano passado continuaram a registar-se positivos por CERA: Guerra, Nozal, Ribeiro e Danilo Di Luca, segundo da Volta à Itália em bicicleta, desclassificado e suspenso por dois anos.

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