Bola de Ouro - Ronaldo conquistou primeiro prémio aos oito anos no Andorinha

Cristiano Ronaldo, que hoje foi eleito o melhor futebolista do ano pela revista France Football, cedo se habituou aos prémios, quando recebeu, logo aos oito anos, o primeiro galardão do Andorinha, o seu primeiro clube.

“O Cristiano chegou cá ao Andorinha, em 1992, então com sete anos e pela mão do pai, o senhor Aveiro, que era técnico de equipamentos. Logo deu nas vistas e, no dia 01 de Agosto de 1993, recebeu o seu primeiro prémio individual no torneio infantil Adelino Rodrigues, em que foi eleito o melhor jogador”, disse à Agência Lusa Dúlio Martins.

O troféu, disse o presidente daquela colectividade, fundada há 83 anos, foi entregue à mãe de Ronaldo, Dolores Aveiro, em Setembro passado, quando o internacional português se deslocou à Madeira para receber a “Bota de Ouro”, por ter sido o melhor marcador dos campeonatos europeus ao serviço do Manchester United.

“A sua primeira época oficial pelo Andorinha foi em 1993/94 e o primeiro jogo oficial foi em 19 de Dezembro de 1993, já com a camisola número 7, frente ao Câmara Lobos, tendo marcado um golo na vitória da equipa por 4-0, numa altura em que o seu primeiro treinador era o professor Afonso”, revelou.

Em 52 jogos oficiais, o franzino Cristiano Ronaldo, que jogava como extremo, marcou oito golos, fraco pecúlio que Dúlio Martins justificou pelo facto de a colectividade, na altura, “não ter a força que hoje já possui”.

Em Maio de 1995, realizou o último jogo oficial pelo Andorinha, tendo sido transferido posteriormente para o Clube Desportivo Nacional, a troco “imagine-se, de 20 bolas e de um conjunto de equipamentos para os infantis”.

O presidente do popular clube de Santo António não tem dúvidas “da justiça deste prémio e do próximo que vai vir, o de melhor jogador do Mundo pela FIFA”.

Na sede do clube, para o qual estão projectadas obras de remodelação, abundam fotos do pequeno “craque”, vê-se a sua primeira inscrição federada e o pequeno espaço onde os jogadores tomavam duche após os jogos e trocavam de roupa.

Num bar próximo da casa onde nasceu, entretanto mandada demolir pela sua mãe, o que motivou algumas críticas, tanto de Dúlio Martins como dos vizinhos, já que a sua preservação poderia trazer mais valias à freguesia, é onde se concentram os colegas da sua geração e os mais velhos, que se recordam daquele puto que nunca largava a bola de futebol.

O bar, recentemente trespassado, é gerido pelo ex-jogador do Marítimo Joel, actual atleta da Associação Desportiva da Camacha. “Não tenho grande contacto com o Cristiano, conheço-o pessoalmente, é claro, e já joguei contra ele quando eu estava no Marítimo e ele no Sporting”.

“Para mim é uma grande felicidade ele arrecadar mais esta distinção, pois é um jogador português, nascido na Madeira e de grande gabarito. Claro que tenho esperanças em que ele vença o prémio da FIFA”, referiu.

Ao lado, de Joel, Nelson Costa, amigo pessoal de Cristiano Ronaldo, aproveitou para lançar um apelo: “A realização de um jogo da selecção nacional aqui na Madeira com a presença dele”.

Na vizinhança da antiga casa da família Aveiro, na Quinta Falcão, há vozes que, contudo, apelam ao jogador “para que faça alguma coisa pelos miúdos, talvez um campinho”, como defendeu Fernanda Faria.

Outro popular aproximou-se da reportagem da Lusa e, meio aborrecido, exclamou: “É preciso sublinhar que tudo o que Cristiano Ronaldo é hoje, como jogador e homem, deve tudo ao pai, o senhor Aveiro, não tanto à Mãe, como hoje se quer fazer crer”.

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