PJ detém “Maniche” por tráfico de droga

Tem 27 anos, é conhecido pela alcunha de “Maniche” e faz parte dos No Name Boys - claque do Benfica, clube onde Maniche (o futebolista) teve a sua formação. Mas a escola deste “Maniche”, que deve a sua alcunha às semelhanças físicas com o jogador, parece ser bem diferente: desempregado, tem como ganha-pão o tráfico de drogas sintéticas a nível interno.

Sem antecedentes criminais, “Maniche”, foi esta semana "apanhado com a boca na botija" na "Operação erva daninha IV". Ou seja, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), após uma investigação que vinha sendo desenvolvida desde Agosto, e que culminou com uma busca à sua residência, onde foram apreendidas 420 gramas (g) de pólen de haxixe, 164 g de liamba, uma quantidade diminuta de LSD e de MDMA e a substância 2C-B (fenitilamina) - comercializada pela primeira vez em Portugal.

Em casa do detido, a Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE), da PJ, apreendeu ainda uma balança de precisão utilizada no tráfico.

Já nas instalações dos No Nome Boys, localizadas no Estádio da Luz, em Lisboa, as autoridades apreenderam 21 munições de calibre 38 e um bastão extensível que, explica a PJ, "de acordo com a nova regulamentação, se insere nas armas de classe E". Que o mesmo é dizer que "a posse desta arma é proibida", como disse ao DN o inspector-chefe do DCITE, João Figueira, sublinhando que o material apreendido pertencia ao detido, "o que não põe em causa os outros elementos da claque desportiva". O indivíduo encontra-se assim detido por posse de arma proibida e suspeita de tráfico de estupefacientes.

Para João Figueira, esta "Erva Daninha" poderá ser apenas a quarta de outras operações (ver as anteriores na caixa) relacionadas com o mercado interno de drogas sintéticas. Isto porque, explica, "estas são as substâncias que hoje mais se consomem em Portugal, batendo o consumo e o tráfico das drogas tradicionais (como o haxixe, a cocaína ou a heroína)".

O inspector-chefe sublinha que estamos perante um mercado diferente do das drogas tradicionais. Enquanto as últimas "são comercializadas por grupos organizados, as sintéticas são restritas a pequenos grupos, o que dificulta a actuação da PJ", frisa. "É que se é mais fácil desmantelar cada grupo individualmente, torna-se mais complicado desmantelá-lo em termos globais", conclui João Figueira.

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