"A violência nos SuperDragões é de gente sem calibre para matar"

Porto. Ex-líder da claque do FCP conviveu anos com Bruno Pidá e era amigo de Aurélio Palha.

"A violência está sempre associada a claques de futebol. É da juventude, de afirmação da masculinidade. Mas durante o tempo em que estive na claque nunca vi pessoas que pudessem chegar a este tipo de crimes que ocorrem agora no Porto. Isto são execuções a tiro, com armas pesadas, não é pontapé ou murros", disse ao DN Rui Teixeira, ex-líder dos Super Dragões , claque do FC Porto (FCP).

O facto de Aurélio Palha, dono da Chic morto a tiro em Agosto, Fernando Madureira, actual presidente dos Super Dragões , que jantou com Palha na noite fatal e que emprestou o seu Porsche Boxster a Bruno Pidá, apontado como suspeito de envolvimento no crime de Miragaia em que morreu um segurança, surgirem relacionados com os casos recentes "não passará apenas de uma coincidência, fruto de uma cidade pequena como o Porto", afirmou.

"Mesmo o Bruno Pidá, com quem já perdi o contacto, não será uma pessoa, por aquilo que conheço dele, com frieza, sofisticação e armamento para executar os crimes que temos visto. Aliás, o próprio gangue da Ribeira é quase um mito. Na verdade é um grupo de pessoas que julgo não incluir seguranças da noite propriamente ditos. E é a esses seguranças que é atribuída a sucessão de crimes. Está tudo ainda muito confuso e no futuro poderá saber-se melhor o que aconteceu", acrescentou.

Rui Teixeira deixou a claque em divergência com a SAD do FCP, mas recorda que nunca se apercebeu de verdadeiros criminosos. "Uma coisa é andar à pancada, outra é assassínios de calibre como estes", apontou. Não digo que a claque não tenha pessoas com mais apetência para a violência, sendo um grupo muito grande, mas nunca se falou de crimes graves ou organizado", concluiu.

Há cerca de ano e meio, Rui Teixeira abandonou os Super Dragões . "Foi por minha opção pessoal", revela, acrescentando que também foi "uma questão política": "Não me revejo na política desta SAD do clube e como queria ficar numa situação de compadrio achei melhor sair. Hoje vou ver os jogos ao estádio, tranquilamente, com amigos meus."

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