Juíza relaciona Pinto da Costa com corrupção na arbitragem

O resultado final do jogo FC Porto-Estrela da Amadora da época anterior poderá ter sido viciado.Pinto da Costa terá recorrido a esquemas de prostituição, pagos por pessoas que lhe são próximas, para obter favores dos árbitros

Um dos casos analisados pela magistrada judicial prende-se com o jogo FC Porto-Estrela da Amadora, da 19.ª jornada da Superliga e no qual foram validados dois golos aos dragões pelo árbitro Jacinto Paixão. Os investigadores recorreram a três ex-árbitros internacionais (Avelino Antunes, Vítor Pereira e Jorge Coroado), que terão sido categóricos ao afirmar que em ambos os golos o jogador estava em situação de fora de jogo. Por outro lado, os mesmos especialistas terão notado que houve um conjunto de faltas não assinaladas ao FC Porto.

Ainda de acordo com o semanário, Jacinto Paixão e os auxiliares José Chilrito e Manuel Quadros terão sido confrontados com os indícios recolhidos durante a investigação pela juíza Ana Cláudia Nogueira. Estes terão confessado terem tido relações sexuais com prostitutas após o jogo, mas terão afirmado desconhecer quem as contratou e pagou. No entanto, no auto de interrogatório - e não no despacho de pronúncia, uma vez que ainda não há acusação -, a magistrado terá expressado a convicção de que os serviços de três cidadãs brasileiras terão sido contratados pelo empresário António Araújo com a conivência de Pinto da Costa.

No mesmo documento, Ana Cláudia Nogueira terá ainda feito referências ao jogo entre o Boavista e o Estrela da Amadora, em que terá sido prometida por Valentim Loureiro uma boa classificação a Jacinto Paixão, caso este favorecesse os axadrezados. Porém, como o clube do Bessa acabou por perder a partida, a relação causa-efeito entre o favor oferecido e a contrapartida ficou, assim, diminuída.

REACÇÃO. Valentim Loureiro, presidente suspenso da Liga de Clubes, resolveu quebrar o silêncio para garantir que não teve contactos com o árbitro Jacinto Paixão. "Nunca falei pessoalmente com o senhor Jacinto Paixão, nunca lhe telefonei nem antes nem depois do jogo que aqui [notícia do Expresso] é referido, nem de outros. Aliás, não lhe prometi nada e nem falei com Pinto Correia no fim do jogo para dar uma boa nota ao árbitro", comentou o major, em conferência de imprensa, insurgiu-se depois contra a violação do segredo de justiça, que diz ter ocorrido neste caso, apelando aos poderes políticos "para que ponham cobro a este incumprimento das fontes judiciais que passam notícias cá para fora."

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