Vida para lá da Terra

Técnicos e cientistas da NASA e muitos cidadãos deste mundo estão suspensos dos resultados das análises em curso, pela Phoenix, na superfície de Marte . A recente comprovação da existência de água no solo marciano fez renascer o interesse pela procura de indícios de vida, por mais simples que possa ser. São muitos os estudiosos que aceitam a vida como uma consequência inevitável da evolução da matéria no Universo. Como se de um destino se tratasse, às partículas subatómicas primordiais seguiram-se os átomos e as moléculas, das mais simples às mais complexas com capacidade de se reproduzirem. Foi o que aconteceu aqui, no planeta azul, com o nascimento de seres muito primitivos, à semelhança das arqueobactérias. A evolução que se seguiu, numa interacção permanente e ao longo de 3800 a 4000 milhões de anos, entre as sucessivas formas de vida, o ar, a água e as próprias rochas, conduziu à biodiversidade actual, cujo expoente de maior complexidade é, sem dúvida, o cérebro humano. Para surgir onde isso lhe é permitido, a vida só precisa de esperar que a matéria cumpra o seu "destino", e, nessa espera, a enormidade do tempo consumido tem uma dimensão que ultrapassa a nossa capacidade de o abarcar. Nada nos diz, pois, que não possa haver vida no planeta vermelho, tão velho quanto o nosso. E quem diz em Marte , diz em outro qualquer planeta exterior ao Sistema Solar.

São já muitos os chamados exoplanetas, associados a outras estrelas da Galáxia. Este conhecimento, cientificamente comprovado, permite extrapolar esta certeza à totalidade das estrelas do céu, as que vemos e as que nem os mais potentes telescópios conseguem ver, num número da ordem dos 1022 (cerca de cem mil milhões de galáxia com cerca de cem mil milhões de estrelas, em média, cada uma). Com um número tão descomunal, é de admitir uma razoável probabilidade de existirem estrelas com um sistema planetário no qual um planeta tem com ela a mesma relação de massa e distância que caracteriza a relação da Terra com o Sol. Uma tal relação determinou os níveis de temperatura favoráveis à presença significativa de água no estado líquido, tida por berço da vida que conhecemos. Neste raciocínio, especulativo mas perfeitamente lógico, não é, de todo, impossível a existência de planetas nos quais se pudessem ter desenvolvido civilizações tanto ou mais avançadas do que a nossa.
Nada nos diz que não possa haver vida no planeta vermelho.


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