O que esconde o solo gelado de Marte?

A missão Phoenix, da NASA, já está a emitir imagens a partir do solo de Marte. Durante 92 dias, a sonda norte-americana vai tentar estudar a história de mudanças climáticas no planeta. E, uma vez mais, procurar indícios de vida marciana, desta vez escavando o solo gelado na região polar norte

Os suspiros de alívio chegaram perto da meia- -noite (hora portuguesa). Um sinal, transmitido em directo da superfície de Marte, confirmava o sucesso de mais uma etapa da missão da NASA: o Phoenix Mars Lander chegara ao seu destino.

Foi uma viagem longa, desde o lançamento, a 4 de Agosto de 2007, no topo de um foguetão Delta 7925, a partir de uma das plataformas na estação de Cabo Canaveral, na Florida. Depois de percorrer uma viagem de perto de 670 milhões de quilómetros, a Phoenix entrou na atmosfera marciana no domingo, a perto de 21 mil quilómetros por hora. Em sete minutos, a travagem reduziu a velocidade da sonda até ao limite mínimo de oito quilómetros por hora, que antecedeu a aterragem, num processo que contou com o auxílio de um sistema de pára-quedas. Esta era, conforme a NASA havia explicado, a fase mais crítica de toda a viagem. Com o auxílio de pequenos jactos, a Phoenix corrigiu os momentos finais da descida e atingiu a superfície numa região plana, com apenas pequenas irregularidades. Primeira acção depois da chegada: contactar a base da missão, através do satélite Odyssey, em órbita do planeta vermelho. "A Phoenix aterrou. Bem-vindos à planície polar norte de Marte", anunciou então um dos controladores do voo. Estava tudo a correr conforme previsto.

O cenário que se seguiu à chegada dos primeiros sinais que davam como bem-sucedida a aterragem não fugiu à regra. Abraços e aplausos para acabar com a ansiedade dos últimos minutos. Festa curta porque, na verdade, a etapa mais importante da missão ia finalmente começar. Barry Goldstein, o project manager da missão, confessava então à imprensa que nem nos seus sonhos imaginara uma descida tão "perfeita" como a que acabara de acompanhar via satélite.

O que, nesses primeiros instantes, não eram mais que números indicadores, ganhou outra expressão logo que as primeiras imagens começaram a chegar aos computadores da NASA (ver em baixo). Revelavam, em primeiro lugar, a planície da região polar de Marte na qual a Phoenix acabara de aterrar, que nunca antes tinha sido fotografada tão de perto. Foram também estas primeiras imagens que asseguraram à equipa de controladores que os painéis solares da sonda estavam já na posição correcta. Prontos, portanto, para assegurar a captação de energia para o regular funcionamento da Phoenix.

Um primeiro olhar atento dos cientistas da NASA permitiu algumas conclusões. O tipo de solo, quase sem rochas, e as formas poligonais que se viam já do espaço não constituíram novidade. Não se observa, directamente, gelo. Mas, segundo adianta Peter Smith, da University of Arizona, no comunicado oficial no site da NASA, o gelo procurado "deverá estar sob a superfície".

A Phoenix permanecerá activa na superfície marciana por 92 dias, com dois objectivos principais: estudar a história geológica da água do planeta (e assim averiguar sinais de cenários de mudanças climáticas) e procurar indícios de vida (passada ou presente) em Marte.

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