Instrumento português em sonda para Marte

A futura sonda europeia, cujo lançamento está agendado para 2011, leva a bordo 11 instrumentos para analisar o ambiente e os parâmetros químicos e biológicos no Planeta Vermelho. Um desses instrumentos, para detectar água, está a ser desenvolvido no País

Um dos instrumentos a bordo da futura sonda europeia ExoMars, que em 2013 deverá pousar em Marte para caracterizar o seu ambiente do ponto de vista biológico e preparar futuras missões tripuladas, poderá ser inteiramente português.

Trata-se do Subsurface Permittivity Probe, ou SP2, um dos 11 instrumentos que equipará a nave, e que permitirá estudar as propriedades eléctricas do subsolo de marciano.

"Ao medir essas propriedades ele pode indicar se há ou não água, mesmo que seja em muito pequenas quantidades, como apenas humidade", explicou à Lusa Pedro Pina, do Instituto Superior Técnico, uma das universidades envolvidas no projecto.

A ideia do SP2, cujo projecto inicial já foi aprovado pela agência espacial europeia (ESA), surgiu quando o engenheiro e astrofísico português Fernando Simões esteve envolvido, justamente, no desenho da missão ExoMars, na ESA, e se lembrou de que um dos instrumentos poderia ser desenvolvido e construído em Portugal.

Agora o SP2 já está em desenvolvimento por parte de um consórcio português que integra ao todo oito instituições, entre univers idades , como o Instituto Superior Técnico (IST) ou a Faculdade de Engenharia da Universidade de Porto, e várias empresas, como a Efacec, a Critical Software ou a Active Space Technologies.

A aprovação final do projecto SP2 é feita em Abril de 2008, estando agora o consórcio português à procura de financiamento, conforme as regras da ESA. "A aprovação da ESA é feita por etapas e está dividida em oito partes. Para qualquer instrumento integrar uma missão tem de chegar ao nível oito, nós estamos no nível quatro", afirmou Pedro Pina. O nível cinco, que tem de ser cumprido até Abril de 2008, exige o financiamento aprovado, disse o mesmo responsável, acrescentando que até agora a equipa tem trabalhado com verbas próprias.

"Apresentámos o projecto e uma proposta bastante detalhada ao Estado português", disse Pedro Pina, explicando que é este financiamento que permitirá "dar o salto".

"O financiamento é da ordem dos dois milhões de euros, o que significa três cêntimos por português em cerca de oito anos", conclui o investigador.

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