"É preciso informar quem mora em zonas de risco"

JOANA DE BELÉM

Este terá sido o maior sismo sentido no território nacional (no Continente) desde 1969. Pode criar algum temor?

Creio que não, sabemos que se trata de um fenómeno natural. Deve é criar um espírito de prevenção, até em termos de protecção civil. Devíamos aproveitar estas ocasiões para fazer boa pedagogia. Temos uma sismicidade um bocado traiçoeira em Portugal continental, ao contrário dos Açores, onde são muito frequentes, e perde-se a memó-ria mais pragmática em termos de reacção a eventos deste género.

Novamente a prevenção...

Tem de haver um esforço suplementar para suprir, através da pedagogia, aquilo que não temos na nossa memória quotidiana, para aprendermos como reagir. Quando lancei O Pequeno Livro do Grande Terramoto, escreveu-me uma portuguesa residente no Japão que contava que tinha sempre pronta uma mala de roupa e que fechava a torneira do gás sempre que saía de casa, para evitar uma explosão na eventualidade de um sismo. É evidente que a maior parte dos portugueses não faz isto porque os sismos são pouco frequentes. Há um papel importantíssimo até na comemoração histórica deste tipo de acontecimentos. Em 2005, aquando dos 250 anos do terramoto de Lisboa, a Câmara de Lisboa falhou, o próprio País, os ministérios da Educação e da Cultura. Teria sido uma muito boa ocasião para que a sociedade aprendesse alguma coisa. Há uma memória colectiva, informal mas pouco informada.

Diz-se que a devastação de 1755 foi a oportunidade para reconstruir uma Lisboa melhor. Como a olharíamos à luz destes dias?

Começámos a ter uma atitude muito negligente em relação a 1755. "Até foi bom, permitiu construir de forma mais racional." Nada disso se justifica, destruiu-se muita coisa importante e a lição a retirar é a de que nos devemos preparar para que tudo corra melhor da próxima vez.

E em que moldes?

Por exemplo, é preciso dar informação correcta a quem compra ou aluga casa em zonas de risco sísmico. As pessoas não sabem o que procurar para saber se é seguro. Mesmo os engenheiros têm dificuldade em aceder às estruturas dos edifícios para saber se são seguros ou não. Tal como temos certificação energética... podia passar por uma agência de prevenção e ficávamos mais seguros, dávamos mais emprego e estimulávamos o mercado em termos de restauro de edifícios.

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