Pelo debate

Os tempos que vivemos são bem estranhos. Mesmo muito estranhos. Assemelham-se à Idade Média. São, mesmo, tempos quase feudais. As corporações, nas suas múltiplas vertentes e vestes, afirmam-se nos seus propósitos e nas suas considerações. Que, em certos casos, são convicções. Como se estes tempos não fossem aqueles em que a única certeza é não ter certeza alguma. Lutam entre si mas unem-se, apesar das suas contradições internas e, por vezes insanáveis, em determinados temas. Principalmente naqueles que chegam, e logo, condicionam a agenda mediática.

Agora é o momento, em Lisboa, da Colina de Santana.

Encontramos diferentes visões e diferentes pontos de vista. Somos confrontados, e bem, com a vulnerabilidade sísmica da zona. Alguns ignoram, decerto por conveniência, o recente debate acerca da revisão do PDM de Lisboa. Onde se envolveram e, em determinados casos, opinaram com fervor e ardor. E de repente alguns que há bem poucos meses opinavam, em sede de silenciosa campanha eleitoral, que Lisboa estava "pensada" para os próximos anos, dizem-nos, qual velhos senhores feudais, que há "inversão completa do planeamento", que falta à câmara "uma visão de conjunto" e que a câmara deve "intervir mais" na Colina de Santana".

Julgava eu que um dos temas "referendados" na última campanha eleitoral tinha sido uma "visão estratégica" para aquela Colina. Descortino, agora, e bem - mesmo muito bem -, que o instante atual é o tempo para a discussão global e sistémica da Colina de Santana.

Pela minha parte continuo a ter boa e permanente nota do que as partes proclamam. Em voz baixa ou em voz bem alta. Mesmo que me surpreenda com aqueles que me diziam, em plena campanha eleitoral, que a questão estava bem, muito bem, estudada. Coisas dos tempos. Dos "costumes", diria . Mas felicitemo-nos pelo debate. Já que, afinal, e como eu dizia - e escrevia - há poucos meses, estava por fazer!

*Vereador do PSD na C. M. de Lisboa

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