Opção prematura pode ser desastrosa

Toda a Colina de Santana exige um plano global e integrado, já que possui um património histórico e cultural que não pode nem deve ser minimizado (na área da saúde, vem desde 1492) e que poderá dizer-se, modernamente, é sobretudo representado pelo património histórico e artístico do Hospital de São José.

Na Colina de Santana existem edifícios classificados, de interesse público, que nunca poderão ser sacrificados, muito embora grande parte da área ocupada pelos atuais hospitais o possa ser, desde que conhecida e estabelecida previamente uma carta hospitalar definitiva e aprovada, mas ainda não conhecida apesar dos numerosos estudos já realizados. Consideramos essa carta hospitalar condição fundamental e mesmo indispensável, a permitir uma decisão final sobre a utilização dos espaços da cidade. E uma decisão prematura, precipitada e mal fundamentada, poderá, no futuro, vi a revelar-se desastrosa e dificilmente remediável.

Se aceitamos que o novo Hospital Oriental de Lisboa, como hospital moderno e de "referência para a zona sul do País, possa, de facto, vir a substituir os atuais Hospitais de São José, Santa Marta, Capuchos, Miguel Bombarda, não se poderá nunca deixar de considerar o impacto que as propostas em jogo irão ter no acesso da população dessas áreas a cuidados de saúde.

Congratulo-me particularmente por ver que, de novo, o Hospital Pediátrico de D. Estefânia não é objeto de discussão, já que a existência de um hospital pediátrico autónomo não pode deixar de ser garantida em Lisboa, muito embora consideremos que aquele nunca deverá deixar de ter grande proximidade ao hospital que sirva de "referência" para os doentes adultos.

*Cirurgião pediátrico

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