O ICOMOS e a Colina: de Santana a Lisboa

Dada a importância de discutir o futuro da Colina de Santana, o ICOMOS-Portugal participa desde 2010, de forma consistente, no debate sobre este processo e seus projetos. Centramos agora a discussão naquilo que nos parece absolutamente essencial: a qualidade diferenciadora, no contexto europeu e internacional, da cidade de Lisboa. Essa especial qualidade reúne um conjunto de valores materiais (património, ambiente, urbanismo e carácter distintivo das arquiteturas) e imateriais.

Os estudos e análises do território e do património existente devem servir sempre para uma reflexão crítica e para delinear estratégias e não se limitarem a ser meros apêndices do Plano e dos Projetos, como é o caso. Refira-se, por exemplo, o incompleto entendimento do que é o valor patrimonial da Colina, quando se propõe romper com as antigas Cercas, testemunhos da origem conventual dos hospitais e que poderiam propiciar oportunidades urbanas que deviam ser potenciadas.

A Colina necessita que se mantenham unidades de saúde polivalentes, enquanto lugar de uma Cultura ligada à Saúde: a Medicina não é um problema mas sim uma solução!

A excessiva alteração que os atuais planos e projetos propõem para esta zona poderá colocar em causa uma valorização da cidade em termos internacionais que deveria culminar na sua inclusão na Lista do Património Mundial, na categoria das Paisagens Urbanas Históricas criada pela UNESCO!

Essa candidatura de Lisboa, de valor excecional no contexto europeu e com a particularidade de não ter sofrido as guerras do século XX (mais-valia inestimável), permitiria a integração, além da Baixa, de outras zonas históricas (Colinas, Aqueduto...) dentro de um modelo de salvaguarda contemporâneo, numa perspetiva de verdadeira reabilitação urbana. Esta, sim, seria uma visão bem mais lúcida e ambiciosa: o ICOMOS está disponível para este projeto de futuro.

*Secretária-geral do ICOMOS-Portugal

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