O estado da saúde na Colina de Santana

Muito se tem debatido sobre o futuro da Colina de Santana. A principal discórdia prende-se com a questão da prestação de cuidados de saúde à população e com o encerramento dos diversos hospitais ali existentes.

Afinal por que razão tem de se fechar os hospitais da Colina de Santana, no centro de Lisboa, tendo em conta a abertura na zona oriental da cidade do Hospital de Todos-os-Santos? Em que sentido é que este novo hospital irá assegurar e melhorar a qualidade dos serviços prestados? A proximidade à população é um fator a ter em conta? Se sim, o encerramento destas unidades de saúde irá colocar entraves ao acesso imediato da população devido a esta falta de proximidade, obrigando à sua deslocação fora da área de residência em caso de necessidade urgente de cuidados de saúde.

Outra questão pertinente é apurar se estes edifícios antigos, com estruturas que não foram concebidas para albergar estruturas hospitalares, desadequados à atual e necessária prestação de cuidados de saúde, têm ou não as condições necessárias para o continuar a fazer, e bem.

Não devemos continuar a confundir a prestação de cuidados com o local e com a acessibilidade aos mesmos, mas é nosso dever colocar o cidadão e o seu direito a receber os melhores cuidados possíveis acima de todo e qualquer interesse político. Há que garantir o melhor serviço de saúde prestado junto da população, tirando desta equação os benefícios financeiros e os interesses em outros negócios que a longo prazo prejudicarão os utentes.

A deslocalização para a zona oriental de Lisboa dos hospitais que há décadas funcionam na Colina de Santana vai gerar "novas oportunidades" para o setor da economia da saúde no centro da cidade? Alguém afirmou: "Estamos a falar de saúde e não de negócio".

Concordo. Este é o cerne da questão.

* Bastonário da Ordem dos Enfermeiros

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