Evolução inevitável

É sabido por todos que os atuais hospitais nasceram de antigos conventos, que têm vindo a adaptar-se ao longo dos séculos até aos nossos dias, sendo que agora, mais do que nunca, as necessidades do ser humano em virtude do avanço da medicina tornam praticamente inevitáveis novas adaptações dos espaços há muito sobrecarregados.

Senão vejamos, uma pessoa, e é de pessoas que falamos aqui, que tenha de ser observada numa consulta de cardiologia e neurocirurgia terá de passar por dois diferentes hospitais. Por muito perto que sejam, esta solução nunca dará a comodidade ou a eficiência desejáveis. Estamos aqui a falar do Hospital de Santa Marta e de São José, onde o martírio das colinas mostra o quão difícil pode tornar-se uma pequena deslocação.

Todos os relatórios internacionais e nacionais mostram a necessidade da construção de um novo hospital, que concentre todas as valências num único espaço. Este deverá ser construído de raiz para o efeito, desde as primeiras linhas do projeto, para que seja de facto pensado e estruturado como hospital, e não mais uma adaptação feita para atamancar mais um pouco os serviços de saúde portugueses.

Surge assim o tão falado Hospital de Todos os Santos, pensado para a zona oriental de Lisboa há mais de 40 anos e por isso já fazendo lembrar mais uma barragem do Alqueva, que com pequenos e tímidos passos avança e recua, mesmo após a ordem de compra de terrenos à Camara Municipal de Lisboa pela anterior ministra da Saúde Ana Jorge, pelo valor de 12 milhões de euros. Sendo certo que que nada do que aqui falamos será realidade amanhã ou depois, a defesa de um projeto hospitalar para Lisboa, de Todos os Santos ou de outro qualquer, não invalida uma primeira certeza, que é fundamentalmente o não encerramento de qualquer unidade hospitalar de Lisboa, sem a existência de outra que a substitua.

* Pres. Junta de Freguesia de Santo António

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