Colina de Santana, que futuro?

A discussão pública do projeto para a Colina de Santana tem-se centrado essencialmente na problemática do encerramento dos Hospitais de S. José, Santa Marta e Capuchos e do deslocamento de serviços aquando a construção no novo Hospital de Todos os Santos, mas será que essa é a verdadeira questão?

Atualmente, a Colina de Santana é uma zona de Lisboa habitada na sua maioria por população envelhecida, rodeados de habitações degradadas, abandonadas e com fracas acessibilidades. A saída dos Hospitais é, sem dúvida, um problema para a população residente , mas os problemas atuais, como a desertificação e degradação que a Colina enfrenta também não devem ser descurados.

O projeto propõe em substituição dos Hospitais, a criação de duas novas unidades de cuidados primários, uma unidade de cuidados continuados, uma unidade residencial para idosos e dois centros de dia o que nos parece bastante redutor se aos já habitantes somarmos aqueles que se prevê trazer à colina com os 663 fogos projetados. A solução passa não só por reforçar todas estas unidades já propostas como construir em maior número e de forma descentralizada para garantir e melhorar o acesso à saúde aos que ali habitam.

Acreditamos que é preciso ir mais além do que optar pela construção desenfreada, para se planear um processo integrado de requalificação urbana pensado para médio-longo prazo. Há que atrair mais Famílias, mais jovens, mais habitantes, dinamizar o Comércio, o Turismo e deixar de olhar para a Colina como Lisboa envelhecida e esquecida. Como pretende este executivo da CML garantir estes pressupostos? Esta é a verdadeira questão que se coloca.

Apesar dos cinco debates promovidos pela Assembleia Municipal se encontrem praticamente concluídos, as dúvidas quanto ao impacto que este projecto trará não só aos habitantes da colina mas a todos os lisboetas permanecem.

*Deputada municipal do CDS/PP

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