Colina de Santana. E a paisagem?

O debate sobre o futuro da Colina de Santana vai continuar dia 25. Hoje o DN publica a opinião da Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas sobre o tema.

As paisagens foram sempre alteradas ao longo dos tempos, ou por modelação da natureza ou para satisfação das necessidades e aspirações das populações. Com os conhecimentos, técnicas e políticas de participação de que dispomos, só é sério encarar as alterações, após o estudo das funções a desempenhar pela parcela a alterar, no todo de que faz parte. Este estudo deverá ser ainda mais profundo, quando se trata de uma área tão singular como a Colina de Santana. Ecologicamente identifica-se a Colina como uma cabeceira importante, de significativa permeabilidade, separando vales fundos que drenam directamente para a Baixa e estuário, afectada fortemente por "ilhas de calor", com vulnerabilidade sísmica e proporcionando vistas excelentes. Urbanisticamente, os espaços hospitalares dominam o espaço residencial consolidado, com um quarto dos fogos vagos, uma carência acentuada em espaços verdes e mobilidade suave deficiente.

* Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas

A reconversão urbana da Colina constitui uma oportunidade excepcional para promover: o usufruto da qualidade patrimonial e cénica, a melhoria da acessibilidade, a regularização microclimática, a infiltração e retenção de água no solo e subsolo e a colmatação da carência em espaços públicos. Assim, deverão assegurar-se três processos essenciais. A recuperação do património edificado e paisagístico, promovendo usos contemporâneos em resposta às carências e aspirações identificadas, com contenção das volumetrias edificadas; o estabelecimento de uma consistente estrutura ecológica e de lazer, introduzindo: gradientes (circulações atmosféricas e hídricas fundamentais); espaços abertos; uma rede coerente de contínuos (plantados, pedonais e cicláveis); médias e vastas manchas de vegetação arbóreo-arbustiva, privilegiando áreas de cabeço, maior vulnerabilidade a riscos naturais e a ligação com os jardins, cercas, claustros e logradouros existentes; predomínio de pavimentos permeáveis e semipermeáveis. A valorização cuidadosa do sistema de vistas de e para a Colina.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG