As cidades são processos vivos

A construção de uma cidade é um processo vivo, dinâmico, que congrega sinergias de múltiplas naturezas. Cada cidade resulta da conjugação da sua memória - cuja preservação é condição fundamental para a sua identidade - com a integração de ideias inovadoras e com os ajustamentos que, em cada momento da sua história, se revelem necessários, eficazes e potenciadores de melhores condições de vida para os seus habitantes. Importa que uma cidade tenha a capacidade de preservar o seu passado e valorizar o seu presente, numa perspetiva de futuro.

Daí a relevância da existência de planos estratégicos de desenvolvimento que, de forma participada, possam satisfazer esses propósitos.

Será nesta perspetiva que se encontram em discussão as propostas para alteração da Colina de Santana, com uma área de intervenção de cerca de 16 hectares, propostas, essas, com impacte urbanístico, social e habitacional bastante significativo.

Escusando-me a uma análise qualitativa e técnica das propostas apresentadas, considero fundamental e de grande utilidade para a cidade de Lisboa que a discussão que hoje se faz sobre o futuro da Colina de Santana possa acontecer de forma desapaixonada, tendo em consideração dois pontos fundamentais: a preservação da riqueza histórica da cidade e a funcionalidade das infraestruturas de saúde face aos propósitos que servem e às necessidades atuais e futuras da população. Desta equação, analisada com objetividade e bom senso, deverá resultar a melhor decisão. A entrada em funcionamento, com data ainda indefinida, do Hospital de Todos os Santos deverá permitir um debate exaustivo nesse sentido, sem condicionamentos, na procura das melhores soluções, que garantam a mobilização de todos quantos o desejem.

A engenharia portuguesa reúne a competência técnica e a capacidade para encontrar as soluções mais adequadas para a concretização da decisão que venha a ser tomada.

* Bastonário da Ordem dos Engenheiros

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