Um santuário para a vida marinha

Algumas das muitas espécies que integrarão o Oceanário estão já na zona de intervenção, embora sob rigorosa quarentena.

Andar uns metros e «saltitar» de oceano em oceano é o desafio-convite endereçado a quem visitar o Oceanário, um dos edifícios que integram a Expo'98, a exposição que vai ter lugar ern Lisboa entre 22 de Maio e 30 de Setembro de 1998.

A proposta é simples: entrar num local onde será possível aprender qual a fauna e a flora de quatro oceanos, a saber. Índico, Atlântico, Antárctico e Pacífico, representados por quatro aquários. Há ainda um tanque gigante - sempre leva um volume de água equivalente ao de quatro piscinas olímpicas - onde vão «conviver» uns bichinhos. Tais como um tubarão-baleia, várias outras espécies de tubarões, jamantas, raias e peixes-pelágios. Os visitantes poderão presenciar o evoluir dos peixes nos tanques por intermédio de «janelas» de acrílico, que vão separar o corredor das visitas do interior dos aquários.

Em cada canto do Oceanário — o segundo equipamento deste tipo a instalar em Lisboa e a inaugurar exactamente na passagem do primeiro centenário do Aquário Vasco da Gama - estará representado um dos oceanos já referidos. Em dois andares, sublinhe-se.

Num deles, os visitantes vão poder apreciar a flora de cada zona. Ou seja, o Antárctico com as suas paisagens geladas, o Índico com os corais, o Pacífico com algas e lontras e o Atlântico com vários organismos marinhos, sendo que a representação deste tipo de oceano foi «entregue» ao mar dos Açores.

Não se admire, por isso, e a título de exemplo, de ver passar num dos pontes da estrutura uns pinguins. Se a temperatura não o tiver já alertado para tal facto, será esta a indicação de que chegou ao Antárctico. Uma  achega para o número de espécies que vão poder ser vistas no edificio: mais de 200 num cálculo estimado em 15 mil peixes.

Convém acrescentar que alguns já estão em Lisboa. Foram capturados em Olhão e o lote passa por um cardume de cavalas e sardas, douradas, sargos, bicas e peixes-porcos - todos para o habitat Atlântico.

Actualmente, estão numa zona especialmente concebida para que possam ambientar-se às condições que vão enfrentar a partir do momento em que entrarem no aquário, e ao cativeiro, acrescente-se.

As «visitas» ao local onde estão são  proibidas, porque estão sob rigorosa quarentena e não podem ser incomodados. Isso poderia «estragar» o tratamento a que estão a ser submetidos e que envolve, por exemplo, o uso de antibióticos. 

A organização da derradeira exposição mundial do século pre vê que a partir do próximo mês de Maio comecem a ser colocados dentro dos vários tanques algumas espécies - que vão chegar um pouco de todo o mundo -, sendo previsível que em Outubro ou Novembro já todos os peixes se encontrem em Lisboa. Até Maio do próximo ano, todos cumprirão o período de necessária ambientação.

No que ao edifício principal diz respeito, um apontamento para o facto de haver duas galerias multimedia. Aí, vão estar à disposição dos visitantes informações sobre as espécies, habitats e flora.  Sublinhe-se que o Oceanário ergue-se da Doca dos Olivais - vai ficar completamente rodeado de água, de tal modo que só se poderá lá entrar por intermédio de uma rampa que o ligará ao edifício de apoio, sendo que a sua estrutura arquitectónica se assemelha à de um navio.

A cobertura é de vidro ondulado, sugerindo ondas ou asas de gaivotas. Há ainda uns mastros e cabos de aço a suportar a cobertura, o que faz lembrar um veleiro.

Quanto ao edifício de apoio - de onde os visitantes vão sair para entrar no Oceanário e para onde regressam -, vai ter restaurantes, lojas de venda de merchandising, os serviços administrativos e uma galeria para exposições.

Um derradeiro apontamento para o custo financeiro desta infra-estrutura: depois de concluída, e isso engloba a captura e transporte das várias espécies marinhas, terá custado dez milhões de contos.