Retrato do Oceanário por quem o conheceu

Expo em contagem decrescente. Peter Chermayeff saudou ontem, em visita ao recinto, os frutos do trabalho em equipa.

«Uma experiência poética», uma experiência do belo. Se, à saída do Oceanário, o visitante a tiver vivido, para Peter Chermayeff será essa a memória mais gratificante do projecto que concebeu para a cidade de Lisboa. Um edifício que se «ergue das águas do Tejo como uma ilha ou como um navio ancorado» e que ontem visitou com jornalistas, conduzindo-os sala a sala, para partilhar o entusiasmo de uma vasta equipa que não se cansou de elogiar.

Entusiasmo que igualmente transpareceu sempre que este arquitecto e designer de renome internacional, hoje com 62 anos, se deteve noutra das suas paixões - as ciências naturais, em particular as que se relacionam com a vida animal: lembrando, perante os hóspedes do Oceanário, a forma como os seus habitats foram concebidos por eles e para eles; expressando o desejo de que a reprodução em cativeiro possa ser aqui uma realidade.

Cenário que poderá eventualmente confirmar-se em breve, dado existirem indícios de que o casal de lontras poderá vir a receber a visita da cegonha. Para Chermayeff, essa seria, já, uma recompensa sem preço. Afinal, Amália e Eusébio formam «um par deveras especial».

No habitat do Antárctico, o arquitecto encontrou, por estes dias, «um novo amigo»: o corvo-marinho que partilha este espaço com a colónia de pinguins-de-magalhães. São momentos como este, em que as barreiras entre espécies se dissipam, que Chermayeff espera venham a ser vividos pelo público do Oceanário, enquanto pólo de educação ambiental.

Para tanto, as pausas na visita pós-Expo terão tratamento especial: 16 recantos para repouso e fruição junto de janelas de acrílico «rasgando» o tanque central. «Será como entrar num sonho, uma experiência poética.» Apesar de o tratamento de interiores traduzir, com a maior fidelidade, os habitats naturais aqui recriados, o percurso terá um carácter cenográfico:  «A paisagem vai mudando à medida que caminhamos, porque nao queremos revelar tudo de uma só vez.

Queremos que haja surpresas constantes» - como acontece, já, com o mural, que seu irmão, Ivan, criou para o edifício de apoio, nas suas várias escalas de leitura. Por todas estas razões, «um aquário será sempre um edifício vivo, nunca completamente acabado».

De ascendência russa, mas nascido em Londres, Chermayeff tem mais de 30 anos de experiência nas áreas que escolheu. Em 1962, fundou a Cambridge Seven Associates e, em 1990, a IDEA, empresa que, em consórcio com a portuguesa Engil, assegurou a obra do Oceanário: o mais recente equipamento-âncora projectado por Chermayeff após os aquários de Boston, Baltimore, Osaka, Chattanooga e Génova.

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