Mergulho nos quatro cantos do universo oceanográfico

Quatro acrílicos separam os diferentes «habitats». A par do Pavilhão da Utopia, o Oceanário é o pavilhão mais visitado na Expo'98.

Todos os dias, assim que abrem os torniquetes da entrada, vários são os que se precipitam para o Oceanário. Vale tudo, menos ficar sem ver o símbolo da exposição dos oceanos.

Quem lá entra tem dois percursos alternativos, o apelidado «das lontras» e o «dos pinguins». Mas todos passam pelo tanque central, e poucos resistem à beleza do que ali lhes é mostrado, a única queixa registada até agora partiu de Jean-Michel Cousteau.

Num volume de água equivalente a quatro piscinas olímpicas, o «Oceano Global» de Chermayeff aloja uma fauna diversificada, característica de alto mar, como tubarões, raias, peixes mais pequenos que se reúnem em cardumes e outras espécies de mar aberto.

A ideia que preside a esta «liberdade artística» de interpretação do mar baseia-se no facto de, na verdade, todos os oceanos estarem unidos num só. Onde os continentes não passam de ilhas, entre os quais vários peixes circulam em migrações constantes.

Pacífico, Índico, Antárctico e Atlântico aparecem em pequenos pormenores nos quatros cantos do tanque central. A separar as águas estão outros tantos painéis de acrílico ultra-resistente, que pela sua transparência dão a ilusão de uma continuidade. Ilusão essa reforçada pelas rochas e corais que entram pelo «Oceano Global».

Ao longo do percurso, os visitantes podem assim «mergulhar» num recife de coral do Índico, decorado com coloridos peixes tropicais, conhecer as costas rochosas do Pacífico, onde habitam as lontras Amália, Eusébio e respectivo rebento, desvendar as paisagem geladas, povoadas pelos pinguins da Antárctida e a costa dos Açores, representativa do Atlântico e das suas aves.

Tudo isto em ambientes climatizados, onde não faltam frio, calor, neblina e humidade, conforme os casos.

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Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.