Expo 98:agora já é a valer!

A roda viva começou na zona oriental de Lisboa, com a abertura da exposição mundial. É aproveitar os 131 dias que faltam.

Ninguém tem direito a queixar-se do que a Expo'98 tem para oferecer até ao dia 30 de Setembro. Há de tudo e para todos os gostos, sejam culturais, turísticos, científicos ou mesmo culinários. Dezenas de restaurantes com gastronomias representativas de quase todo o mundo vão dar substância a um passeio pelo recinto que pode durar entre as nove da manhã e as três da madrugada. Período no qual a organização garante existir espectáculos a um ritmo médio de um em cada 45 minutos.

São cinco portas abertas aos mais de oito milhões de visitantes esperados (num total de 16 milhões de visitas), que militares de pessoas prepararam durante anos e até esta madrugada. Não faltaram arranjos de última hora que se prolongarão todas as madrugadas para manter um evento destas dimensões em ordem. Horas antes da inauguração oficial, centenas de trabalhadores atapetavam com relva as encostas do «Bilheteiras».

A angústia das últimas horas antes da abertura (oficial) «desceu» ao recinto e arredores com os operários a tentar colmatar as diversas falhas que iam sendo «descobertas» nas obras. Dos inúmeros «pormenores» que ficaram para resolver na véspera da abertura do recinto ao público ficou um  particular-mente notado. A saber, junto à Porta Sul estão as bilheteiras, com a indicação da sua função bem visível. Mas houve uma questão que perdurou durante quase todo o dia de ontem: faltava a inscrição em português. Esquecimento resolvido ao fim do dia, adiante-se.

Jardim Cabeço das Rolas enquanto outros faziam arranjos de pequena monta no interior do recinto (havia quem calcetasse um «resto» do passeio junto ao rio). Neste trabalhos de última hora assistia-se mesmo ao tapar de «esquecimentos aborrecidos». Por exemplo, no exterior do pavilhão da República do Congo (na Área Internacional Sul) assistia-se a uma situação caricata: quando pintaram o nome do país nas paredes escreveram República do Congo, mas esqueceram-se da palavra Brazzaville. Assim, lá estava um operário munido de uma lata de tinta verde e as letras recortadas com papel a tentar colmatar esta falha. Pode-se dizer que a cor cinzenta das primeiras inscrições e o verde de ontem não «colam» muito bem; porém, despercebidas também não passam.

No entanto, a «equipa estrela» do final de tarde e início de noite foi a que está encarregada da limpeza. Por todo o lado andavam carros do lixo a recolher os caixotes de madeira e de cartão que os operários iam deixando após terminar os trabalhos. Nas zonas internacionais facilmente se encontravam máquinas a lavar as ruas e pessoas a varrer as entradas dos recintos.

Competência não igualada por quem instalou as máquinas de bebidas no recinto, já que muitas não estavam ligadas e nas que estavam havia algumas tão «esquecidas» que não aceitavam alguns tipos de moedas. Já agora, diga-se que a Portugal Telecom também tem trabalhos forçados pela frente - para além das cabinas que não tinham linha, há locais onde nem sequer telefones existiam.

Regressando à exposição mundial (as questões aqui levantadas estão dentro do capítulo de recuperação rápida, durante a madrugada, como a organização gosta de chamar aos trabalhos que vão decorrer após as três da madrugada até às nove da manhã), refira-se que ao longo de 132 dias a Expo'98 vai transformar Lisboa no palco de um vertiginoso desfile de acontecimentos culturais, com espectáculos a sucederem-se ao ritmo médio diário de um por cada 45 minutos.

Os visitantes têm à sua espera aproximadamente 40 propostas culturais por dia. Contas largas, quer isto dizer que num total de 3168 horas deverão realizar-se cerca de 5280 espectáculos, ou seja, mais de um por hora.

Entre a programação portuguesa e dos países participantes (responsáveis por parte substancial desta oferta), os milhares de eventos programados abrangem as áreas do teatro, música, dança, literatura, cinema, multimedia e circo, tendo sido pensados para agradar a todos os públicos.

Pretende-se que o recinto da exposição mundial seja entendido como um «grande palco ao ar livre», todo ele recheado de espaços artísticos, que funcionarão como uma espécie de «tribos» de espectáculos organizadas geograficamente.