Espólio do Conhecimento dos Mares foi parar ao lixo

Dez anos da Expo'98. Câmara de Aveiro não conseguiu preservar. Cavername de navio de madeira não resistiu a condições adversas

Do espólio do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, vendido à Câmara Municipal de Aveiro, pouco resta senão o mapa mundi. Com o arrastar dos anos também o cavername de um navio feito de madeira que simbolizava a evolução do transporte marítimo acabou por se deteriorar completamente e o destino foi "o lixo", admitiu ao DN fonte da autarquia. Curiosamente, em 2003, o executivo que na altura presidia à autarquia assegurava não ter dificuldades na preservação do cavername (de madeira) de forma a que a peça resistisse "às condições adversas".

O problema durante a última década, segundo explica, foi o tamanho "gigantesco" da instalação e o facto de a mesma não poder ser exposta ao ar livre devido ao material de que era feita. Hoje, resta o mural que representa o mundo, e que, apesar "de precisar de ser também restaurado" pois sempre foi guardado em condições que não as perfeitas, poderá ser visto "em breve".

"Estamos a estudar dois locais onde poderá ser colocado. Ou num pavilhão de exposições ou num edifício que está para ser construído ainda." O submersível, a "tartaruga de Bushnell", foi emprestada à Fábrica da Ciência Viva, em Aveiro.
O espaço na Expo, sem o espólio original, tem hoje o nome de Conhecimento-Ciência Viva e integra a Rede de Centros Ciência Viva , sendo o pólo dinamizador e centro de recursos dessa mesma rede. O seu principal objectivo é o estímulo do conhecimento científico e a difusão da cultura científica e tecnológica.

Para o lixo foi também o mítico ecrã da Praça Sony, que a tantos concertos e noites animadas resistiu. Na altura do Mundial de Futebol, a autarquia da Amadora manifestou interesse em instalar a tela no complexo municipal do Monte da Galega. Mas o presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, acabou por deixar cair a ideia e a Administração do Parque das Nações acabou por vender o equipamento... a uma empresa de reciclagem para ser destruído.

O único sobrevivente, na capital, às memórias de uma exposição internacional é o pavilhão de Macau, dos mais célebres e visitados da Expo 98. O pavilhão foi comprado pela autarquia de Loures por 100 mil euros.

Dez anos depois, a fachada - uma réplica da Igreja de S. Paulo - vai servir de entrada para um novo complexo no Parque da Cidade e tem data de inauguração agendada para 26 de Julho. "A fachada teve de ser toda reconstruída [através de moldes] para poder ser permanente já que era feita de materiais recicláveis", explicou ao DN o vereador do Urbanismo da autarquia, João Pedro Domingues.

O edifício que vai ostentar a fachada do Pavilhão de Macau estará dividido em quatro grandes espaços: uma galeria municipal, apelidada de Vieira da Silva, um espaço de serviços como o turismo e jovens, um salão de chá e um espaço lúdico.

O salão de chá dará continuidade à tradição que deu origem ao pavilhão, na Expo. Para quem não se recorda do Pavilhão de Macau pode fazê-lo através de uma visita virtual no site www.fundacaocasamacau.pt.

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