«Declaro oficialmente aberta a exposição...»

Às 18 e 18, o Presidente Jorge Sampaio inaugurou a Expo'98 perante todo o País.

A inauguração oficial da Expo'98 começou com uma homenagem aos seis trabalhadores que faleceram durante a sua construção. Numa cerimónia privada, onde participou a administração da Parque Expo e os familiares das vítimas, Torres Campos descerrou uma lápide.

Eram exactamente 18 horas e 18 minutos quando o Presidente Jorge Sampaio inaugurou a Expo'98. De pé, os mais de três mil convidados aplaudiram o final do discurso e o «remate» dado pelo Presidente: «Com muita honra e alegria declaro oficialmente aberta a Exposição Mundial de Lisboa de 1998. Sejam bem-vindos.»

Depois das cerimónias protocolares, «o lugar de encontro de todos os povos» estava, assim, aberto, apesar de só a partir desta manhã (às nove horas) o público poder visitar o recinto.

Era o culminar de um desfile que se tinha iniciado várias horas antes, com a entrada na zona da exposição dos mais de três mil convidados. Uns pela porta norte, outros pela sul, todos convergiam para a Praça Cerimonial do Pavilhão de Portugal. Ali, ouviram os discursos e iniciaram a visita ao recinto.Também ali tiveram o desaire do dia: não puderam assistir ao espectáculo Oceanos e Utopia, do Pavilhão da Utopia.

O atraso registado na cerimónia oficial obrigou a esse adiamento - o tempo que demora essa apresentação já não era compatível com o programa oficial - e em troca acabaram por asistir a uma apresentação de um grupo de cantares alentejanos, junto ao Pavilhão do Futuro.

Sem problemas prosseguiu a visita dos chefes de Estado, que cumpriram o programa e, depois da assinatura do Livro de Honra do Pavilhão de Portugal, tiveram um momento de descanso, seguindo depois para o jantar oficial de abertura da Expo'98.

Foi uma altura de repouso depois das cerimónias que tiveram início pelas 16 e 30 com a chegada ao recinto do príncipe ismaelita Aga Khan. Durante pouco mais de meia hora foram recebidos por Torres Campos, que depois os conduzia, pela passadeira vermelha, à tribuna de honra, onde estava Jorge Sampaio (ladeado de Almeida Santos, António Guterres, António Costa, João Soares e Demétrio Alves) os presidentes do Brasil, Alemanha, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau, os primeiros-ministros da Namíbia, Costa do Marfim e Angola, o presidente da Comissão Europeia e o príncipe herdeiro de Marrocos.

O desfile terminou com a presença do Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia, que receberam a maior ovação da tarde por parte das cerca de duas mil crianças que antes de iniciarem a sua visita ao recinto, foram «ver de perto» algumas das mais importantes personalidades mundiais. Quem também «teve direito» a muitas ovações foi Rosa Mota, que passou perto das crianças, que não lhe regatearam vivas.

Depois os convidados - chefes de Estado e os outros - voltaram a encontrar-se, Ou pelo menos assistiram ao mesmo espectáculo: a actuação de Michael Nyman, de José Carreras e dos Madredeus. Tal como ao Acqua Matrix, o evento multimédia que encerrou o primeiro dia da Expo'98.

Estava, desta forma, cumprido o primeiro dia «oficial» da exposição. Hoje, será mais «a sério», com as portas a abrirem ao público às nove da manhã. Até 30 de Setembro. Lisboa será, como salientou o Presidente da República, um «instrumento de afirmação de todo o Portugal».

Homenagem às vítimas da exposição de, onde se pode ler: «Toda esta obra se ergue no respeito, na gratidão e na homenagem perante o sacrifício de vida daqueles que morreram durante a sua construção.» As mortes, ocorridas em 1996 e 1997, foram provocadas por electrocussão, aluimento de terra, entalamento e queda.