Francis Bacon atrai 80 mil visitantes a Serralves

Vicente Todolí fechou o seu ciclo como director-artístico com chave de ouro

Oedipus, quadro de Francis Bacon que dá boas-vindas aos visitantes da exposição Caged-Uncaged, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), no Porto, já foi olhado de perto por milhares de pessoas. Quase se digladiam para o ver, ânsia que não passa só pelos anónimos que, dia a dia, afluem ao MACS para conhecer ou reconhecer a obra do pintor inglês. Paul Thomas Anderson também respondeu ao apelo. O realizador de Magnolia aproveitou para deleitar-se, na viagem promocional do novo filme, Embriagado de Amor.


São 50 as obras de Bacon com que o museu nos presenteia até 20 de Abril, já tendo batido os recordes de afluência: aproximadamente 60 570 pessoas. Até ao fim, estão previstas 80 mil. Os portuenses, e não só, agarraram ao máximo a oportunidade de ver uma exposição até agora inédita entre nós, que, só no fim-de-semana inaugural, teve cerca de 7800 visitantes. Os números não mentem, superando o sucesso das, até então, mais bem sucedidas mostras: Andy Warhol: A Factory e In The Rough - Imagens da Natureza Através dos Tempos...
A chegada de Bacon marcou também a partida de Vicente Todolí, que durante seis anos «comandou as tropas» do MACS e que tornou possível esta mostra, com obras de cerca de 30 museus e colecções particulares espalhadas pelo mundo. Tarefa gigantesca, imaginável apenas para o circuito dos grandes museus internacionais, mas que não tolheu Todolí, que assim se despediu ainda mais prestigiado, voando até Londres para dirigir a Tate Modern.


A noite da inauguração, a 24 de Janeiro, foi a já desnecessária prova de fogo. O conhecido arquitecto Norman Foster (Prémio Pritzker), ou Sir Nicholas Serota, da Tate Modern, são alguns exemplos de personalidades - entre artistas, críticos, directores de museus, nacionais e estrangeiros - arrastados até ao Porto por Bacon.A mostra em si, temática, não se apresenta como retrospectiva da obra do pintor, cujo trabalho sempre reflectiu um espírito conturbado. O que Caged-Uncaged (Encarcerado-Desencarcerado) pretende mostrar: a tentativa constante de transpor para os quadros conflitos sem solução fora deles. Daí a sensação claustrofóbica que perpassa a mostra, povoada de quadros em que o indivíduo, quase sempre limitado espacial e psicologicamente por cortinas ou grades, ou pela própria natureza - em geral associada à ideia de liberdade -, tenta libertar-se de várias formas, seja através dum grito ou dos seus próprios movimentos. Já visitar esta exposição é algo de que ninguém deveria tentar libertar-se.

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