Os comentários

A opinião sobre a premiação da 64ª`noite de entrega dos Óscares de Hollywood

MELHOR FILME

Não há muito a dizer: somem uma máquina poderosa de marketing (Weinstein Company), um retrato de Hollywood (em plena época de esgotamento de novas ideias e com saudades do cinema que já não existe) e o pitoresco (o mudo, o preto e branco, o formato do ecrã...). Resultado: 'O Artista' e 5 Óscares da Academia. O grande vencedor foi, contudo, esse estranho extraterrestre chamado "A Árvore da Vida" (que não ganhou nenhum Óscar), que ficará como um marco na história do cinema e na nossa história pessoal - para sempre.

MELHOR REALIZADOR

A Academia, por vezes, prega este tipo de surpresas (ou sustos) e decidiu premiar um realizador europeu (Michel Hazanavicius) que mimetiza, com competência, todos os lugares-comuns da ideia que temos do cinema mudo norte-americano. Desta vez, e porque a Academia ficou de olhos deslumbrados no passado, Malick e Scorsese ficaram de mãos a abanar...- Flávio Gonçalves (F.G.)

ARGUMENTO ADAPTADO

Confesso a desilusão com a premiação para 'Os Descendentes': qualquer um dos outros nomeados para melhor argumento adaptado tem um resultado final mais interessante e que valoriza, sem descurar a história, as componentes especificamente cinematográficas de uma narrativa escrita para se transformar em imagem e som. - F.G.

ARGUMENTO ORIGINAL

Mais um Óscar para Woody Allen: para um trabalho que, na minha opinião, é menos interessante e inspirador que o seu melhor filme na década passada (Match Point, 2005) mas pelo menos um pouco mais do que os seus recentes trabalhos (ou "pequenos desastres"...) - F.G.

MELHOR BANDA SONORA

A questão é: como não premiar um filme cuja banda de som vive, praticamente, da música? O Óscar para Ludovic Bource, que preenche a banda sonora de 'O Artista', não é, por isso, uma novidade. Por sua vez, Howard Shore, que compôs a música para 'A Invenção de Hugo', tem o espantoso poder de não só intensificar como unificar as partes que constituem o filme de Martin Scorsese.- F.G.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Não é para ser mauzinho mas a primeira coisa que os vencedores do Óscar para melhor documentário (Undefeated) disseram serviu de resumo para o espanto que muitos tiveram (como eu) ao se aperceberem que o magnífico "Pina" (Wim Wenders), que vai para além de qualquer convenção do documentário, não levou o galardão: "this is ridiculous" (isto é ridículo). - F.G.

MELHORES EFEITOS SONOROS

'Drive - Risco Duplo' arrisca-se a ser, no futuro, um daqueles fenómenos de culto que transcende qualquer tipo de premiações - tal como, ainda que diferente, 'A Árvore da Vida'. O facto de não ter sido galardoado com o Óscar para melhores efeitos sonoros (considerado por alguns uma mera categoria técnica sem relevância) revela, na minha opinião, o esquecimento incompreensível a esta obra, que esteve nomeada para a Palma de Ouro na passada edição de Cannes e que, no mesmo festival, venceu o prémio de melhor realizador (Nicolas Winding Refn). - F.G.

MELHOR FOTOGRAFIA

Há qualquer coisa de muito estranho no facto de Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida) não ter levado consigo o Óscar para melhor direção de fotografia... Afinal, que filme, nos últimos anos, conseguiu um efeito tão esmagador no espetador e que valorizasse o poder singularíssimo da imagem? De qualquer das formas: Robert Richardson, que elevou com a sua direção de imagem em A Invenção de Hugo o 3D a um nível nunca antes visto, foi um vencedor exemplar. - F.G.

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