INE confirma défice de 3% em 2017 com recapitalização da CGD

Para o primeiro semestre deste ano o INE calcula um défice de 1,9% do PIB. O Governo estima para a totalidade do ano 0,7%.

O Instituto Nacional de Estatística acaba de confirmar os dados do défice para 2017.

"Em 2017 a necessidade de financiamento das Administrações Públicas (AP) atingiu 5 762,5 milhões de euros, o que correspondeu a 3,0% do PIB (2,0% em 2016). Este resultado inclui o impacto da operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, no montante de 3 944 milhões de euros, que determinou um agravamento da necessidade de financiamento das AP em 2,0% do PIB", lê-se no destaque divulgado esta sexta-feira sobre o Procedimento dos Défices Excessivos (PDE).

A incorporação da recapitalização da CGD foi contestada pelo ministro das Finanças e foi alvo de longas negociações entre o Eurostat e o INE. No documento publicado hoje, o INE adianta ainda que "um dos principais ajustamentos ao saldo de contabilidade pública corresponde à rubrica "outros ajustamentos" que, em 2017, inclui o montante de 3 944 milhões de euros da "injeção de capital" do Estado na CGD e o valor das injeções de capital concedidas a empresas classificadas no setor das AP".

Défice atinge 1,9% até junho. Meta do governo é de 0,7%

Na primeira metade deste ano o défice público situou-se em 1,9% do PIB. "A necessidade de financiamento do setor das Administrações Públicas registou um aumento de 0,2 p.p. no ano terminado no 2º trimestre de 2018, relativamente ao trimestre anterior, atingindo 0,9% do PIB", de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados - calculados em contabilidade nacional, os que interessam para Bruxelas - mostram uma deterioração face ao primeiro trimestre do ano, mas são melhores comparando com o primeiro semestre de 2017 quando atingiu os 6,1% do PIB devido à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. "O aumento da necessidade de financiamento resultou dos aumentos de, respetivamente, 1,3% e 0,7% da despesa total e da receita total das Administrações Públicas", refere o INE. O valor agora apurado fica muito acima da meta de 0,7% traçada pelo Governo para o conjunto do ano. Sendo que o Conselho das Finanças Públicas já admitiu que o défice pode ficar abaixo, fixando-se nos 0,5% do PIB.

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