Turismo Sénior vai voltar a ter apoio do Estado

Programa gerido pela Fundação Inatel chegou a ter 65 mil participantes mas foi suspenso em 2012 após a chegada da troika

O programa Turismo Sénior vai recuperar a comparticipação do Estado e aumentar as vagas já em 2017. É essa a expectativa da Fundação Inatel, de acordo com "negociações bem encaminhadas para que a medida conste do próximo Orçamento do Estado", adiantou o presidente, Francisco Madelino.

"Os trabalhos estão bem encaminhados para conseguirmos recuperar o programa Turismo Sénior numa dimensão intermédia [35 mil vagas], com o retomar da comparticipação do Estado e também com o apoio de alguns fundos comunitários que possam ser destinados para o efeito", revelou Francisco Madelino, ao DN/Dinheiro Vivo. "Estamos a apontar para ter o programa definido no terceiro trimestre deste ano, de forma a ter o novo programa Turismo Sénior a funcionar em 2017", acrescentou.

Promoção do emprego

O cofinanciamento do Turismo Sénior - um programa gerido pela Fundação Inatel desde 1994, para proporcionar uma semana de férias em época baixa aos mais velhos e que chegou a ter 65 mil participantes no início deste século - foi suspenso em 2012 após a chegada da troika. Até então, o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social assumia dois terços do programa e o Ministério da Economia assumia outro terço, através do Turismo de Portugal.

De lá para cá, o Inatel manteve a funcionar "uma versão reduzida do programa, com oito a dez mil participantes, financiada apenas pela fundação". Se as filas intermináveis para as inscrições nestas férias e as queixas devido à falta de vaga no sorteio eram uma realidade nos tempos do programa alargado, nas últimas quatro edições a maioria dos interessados ficou de fora.

Com preços que variam consoante o escalão de rendimentos e o estatuto de associado do Inatel (neste ano, começam em 160euro por pessoa e semana, sendo o valor máximo 275euro, para os destinos em Portugal Continental), a procura "foi sempre superior à oferta".

"Além dos reconhecidos benefícios para a população a que se dirige na satisfação das suas necessidades de lazer, o Turismo Sénior é uma ferramenta importante na promoção do emprego na hotelaria em época baixa. E não beneficia apenas as unidades do Inatel, visto que 75% da oferta é de hotéis privados que, como se sabe, sofrem particularmente com a sazonalidade", recordou Francisco Madelino.

O presidente da Fundação Inatel não revelou qual o montante financeiro que está em causa para 2017, mas, considerando que, "na versão mais elevada, o programa chegou a custar ao Estado entre oito e nove milhões de euros", então, a versão intermédia poderá custar cerca de 4,8 milhões de euros.

O programa 2016-2017 iniciou há dias as primeiras viagens e restam apenas vagas residuais, até porque o universo de utilizadores aumentou. Além do número de seniores continuar a crescer em Portugal, o Inatel foi baixando a idade de admissão ao Turismo Sénior. "Atualmente, qualquer pessoa pode inscrever-se, embora haja uma majoração conforme os rendimentos e as idades", explicou Madelino. O programa foi, também, sofrendo "inovações para poder ter uma componente intergeracional, o que quer dizer que os netos podem acompanhar os avós, por exemplo, nas férias escolares", acrescentou o responsável.

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