Turismo. Aposta devia passar por ministério e decisão firme sobre aeroporto

Oposição diz que governo deve responder mais rápido à aceleração do turismo. Secretária de Estado mostra-se confiante com o rumo do setor.

As projeções muito otimistas da Comissão Europeia sobre o crescimento económico em Portugal em 2022, alavancado por um novo impulso do turismo, espelham também aquele que é o sentimento do Governo. Mas a oposição aponta contradições neste setor económico fundamental para o Produto Interno Bruto (PIB), entre as quais a falta de decisão sobre o novo aeroporto, que não foi considerado prioritário neste Orçamento de Estado para 2022, que está a ser discutido no Parlamento. Mas não só.

"Dada a importância do setor, sempre existiu a expectativa de vir a ser um ministério", afirma a centrista Cecília Meireles, que foi secretária de Estado do Turismo no governo de Passos Coelho. A antiga governante critica assim a concentração numa única secretaria de Estado do Turismo, comércio e serviços. "Perdeu-se a secretaria de Estado dedicada e quando se mistura Turismo com outros setores tão diferentes, este passa para segundo plano", afirma.

Já quanto ao adiamento da decisão sobre o novo aeroporto, Cecília Meireles considera que "pior do que uma má decisão é uma não decisão, sob pena de o turismo não conseguir crescer por falta de capacidade das infraestruturas".

O deputado social-democrata Duarte Pacheco secunda parte das críticas da ex-deputada do CDS, embora admita que as notícias do potencial crescimento acima da média europeia para Portugal "são positivas". Sublinha, no entanto, que "Portugal ainda não tinha recuperado como outros países para os níveis pré-pandemia" e que "estamos a fazê-lo com atraso", precisamente pelo facto da nossa alavancagem económica ser muito pelo turismo.

Duarte Pacheco defende que "perante o novo aumento do turismo, as decisões do governo que estavam a ser adiadas deviam ser reativas e repensadas, nomeadamente a do novo aeroporto".

Quanto à acumulação de mais pastas na Secretaria de Estado do turismo, o deputado social-democrata dá "o benefício da dúvida" porque o que "importa são os resultados".

Mais rotas e sustentabilidade

A secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (que no anterior governo só tinha a tutela do Turismo) mostra-se, no entanto, muito confiante com o rumo do setor e aponta para as previsões do Banco de Portugal que, segundo Rita Marques, poderão, com "uma forte hipótese", ainda serem revistas em alta.

Aquela previsão do BdP apontava para que este ano o país atingisse 85% das receitas de turismo realizadas em 2019, o melhor ano de sempre e que foram de 18 mil milhões de euros. Ficando este ano nos 16 mil milhões .

Rita Marques aponta dois fatores para este crescimento (ver texto ao lado): Portugal teve das menores quedas de tráfego aéreo em relação à média europeia; e o "esforço que foi feito para preservar as empresas e a sua capacidade produtiva", o que as faz agora "responder melhor à procura".

A governante admite que a guerra na Ucrânia pode gerar alguns problemas, em que se inclui a inflação, mas sublinha que os mercados sul-americano, inglês e alemão continuam a merecer a confiança em Portugal.

Três frentes

Rita Marques destaca três frentes para garantir os fluxos turísticos já em 2022, a começar pela "conectividade aérea", para retomar rotas interrompidas e angariar novas.

Isto mesmo que a localização do novo aeroporto da região de Lisboa tenha sido empurrada para 2023, altura em que o governo terá a avaliação ambiental das três soluções sobre a mesa para a sua localização - a solução dual, em que o aeroporto Humberto Delgado terá o estatuto de aeroporto principal e o do Montijo o de complementar; uma solução dual alternativa, em que o Montijo adquirirá, progressivamente, o estatuto de aeroporto principal e o Humberto Delgado o de complementar; e a construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.

Outra das apostas do Governo é a da criação de novos produtos turísticos, como o industrial, ou de literatura que, diz, "são nichos de mercado com valor acrescentado para quem tem poder de compra".

E , por fim a promoção internacional do país, que tem apostado muito na perspetiva da sustentabilidade económica, social e ambiental.

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