Taxa de desemprego desce para 6,6% este ano e 6,0% no próximo

Os números previstos pelo Banco de Portugal sobre o desemprego contrastam com previsões mais pessimistas. Mário Centeno dá dois a três anos para corrigir o esforço feito durante a pandemia de covid-19 em termos de dívida e despesa.

O Banco de Portugal (BdP) previu esta sexta-feira, de acordo com o seu Boletim Económico, que a taxa de desemprego deverá ficar nos 6,6% este ano e baixar para 6,0% em 2022.

"A recuperação da economia traduz-se num aumento do emprego e numa redução da taxa de desemprego para níveis melhores que os pré-pandémicos", refere o Banco de Portugal.

Assim, depois de uma taxa de desemprego de 7,0% em 2020, os números baixarão sucessivamente até 2024, partindo de 6,6% este ano, 6,0% em 2022, 5,7% em 2023 e chegando aos 5,4% no último ano do horizonte das previsões hoje divulgadas.

Os números conhecidos esta sexta-feira contrastam com as previsões mais pessimistas do Conselho das Finanças Públicas (CFP) para 2021, de 7,3%, ao passo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontam para 6,9%, estando mais otimistas o Governo (6,8%) e a Comissão Europeia (6,7%).

Para 2022, as entidades mais otimistas são o Governo e a Comissão Europeia (6,5%), seguindo-se a OCDE e o FMI (6,7%) e o Conselho das Finanças Públicas (6,9%), a instituição mais pessimista.

No Boletim Económico de outubro, o BdP tinha previsto que a taxa de desemprego baixasse para 6,8% em 2021.

Quanto ao emprego, em 2021 "sobe 2,5%, projetando-se crescimentos de 1,6% em 2022 e de 0,4%, em média, no período 2023-24", aponta o BdP.

Centeno dá "dois a três anos" para haver "correção" da dívida e despesa públicas

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse esta sexta-feira que as Administrações Públicas têm "dois a três anos" para corrigir o esforço feito durante a pandemia de covid-19 em termos de dívida e despesa.

"Há uma transição face àquilo que foi o esforço das Administrações Públicas [AP] no período pandémico, em termos de dívida e de despesa que, na nossa opinião, tem dois a três anos para ser concretizada", disse hoje aos jornalistas Mário Centeno, na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de dezembro.

O governador considerou que isto implica "o retomar de uma trajetória de endividamento sustentável", descendo para níveis de 2019 em 2024, referindo que essa redução da dívida pública é uma "condição quase 'sine qua non' para que a dívida pública portuguesa permaneça sustentável".

"Para que isto aconteça, envolve uma redução do peso da despesa permanente no PIB face àquilo que foi a necessidade de dar resposta, pelas Administrações Públicas, durante o período pandémico", em que houve uma redução do produto e um aumento da despesa permanente, segundo Centeno.

"Temos um período de dois, três anos para fazer esta correção", disse o governador do BdP.

Mário Centeno também referiu a necessidade de "retomar a redução da carga fiscal estrutural, que entre 2015 e 2020, de acordo com os resultados do Banco de Portugal, ter-se-á reduzido 1,2 pontos percentuais".

"Esta trajetória deve ser retomada nos próximos anos", assinalou.

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