TAP quer despedir 1700 pessoas e cortar 25% da massa salarial a tripulantes

Reunião com sindicado dos tripulantes acabou com "grande preocupação" e há reunião marcada para dia 2 com o ministro das Infraestruturas.

"Foi com grande preocupação que saímos da reunião realizada nesta tarde (sexta-feira) com a Administração da TAP", reagiu o Sindicato dos Tripulantes em comunicado remetido aos seus membros no final da reunião de sexta-feira -- e ao qual o DN/DV teve acesso.

O SNPVAC diz ter transmitido já à Administração da TAP que existem soluções alternativas que permitem salvaguardar postos de trabalho e garante que vai à luta se os planos se mantiverem.

A causa de preocupação são os brutais cortes de pessoal e de salários previstos, uma solução que o sindicato considera desadequada ao momento e penalizadora até da economia num momento em que o país lida com os efeitos da crise pandémica e do consequente confinamento.

"As medidas laborais que nos foram apresentadas e que integram o plano de reestruturação a apresentar à DG Comp, até ao dia 10 de dezembro, são absolutamente dramáticas e envolvem, nomeadamente o despedimento de 750 tripulantes efetivos, para além dos mais de 1000 contratos a termo denunciados, o que perfaz uma extinção permanente de mais de 1800 postos de trabalho", sublinha o sindicato.

A estrutura sindical dá ainda nota da "imposição de uma redução de 25% da massa salarial, medida transversal e imposta a todo o Grupo TAP".

Mesmo admitindo o momento crítico que a transportadora atravessa neste momento, confrontado com o plano de reestruturação apresentado pela administração da companhia, o sindicato promete reagir e não aceitar pacificamente os brutais cortes previstos. Pelo que se antecipa que, não havendo alteração ao plano, em breve deverão ser anunciadas as formas de luta a que os tripulantes vão recorrer.

"É nossa convicção que o plano de reestruturação apresentado não é incompatível com a manutenção dos postos de trabalho e dos vencimentos dos Tripulantes de Cabine. Com efeito, a própria empresa prevê, para 2023, um resultado operacional positivo", sublinha o sindicato no comunicado enviado aos seus membros, defendendo que o plano não pode ser unilateral e que também os trabalhadores deviam ter sido ouvidos e contribuído para a sua finalização.

"Temos uma palavra a dizer neste Plano de reestruturação, apontando caminhos diferentes, antes da sua apresentação à DG Comp, como aliás, temos vindo a defender desde o primeiro momento e como demonstrámos já à Administração através da nossa equipa multidisciplinar. Estes números que aqui se refletem representam danos incalculáveis nas nossas famílias. Não é de números que falamos, mas sim de pessoas. Dado que o plano não está fechado, ainda estamos a tempo de reparar esta situação."

O SNPVAC defende que só com "uma intervenção estatal firme", que garanta a passagem deste processo da alçada de Bruxelas para a responsabilidade do governo português, se verá assegurada a viabilidade económica e financeira da TAP e a manutenção dos postos de trabalho, mensagem que levará a Pedro Nuno Santos no dia 2, para quando está marcada reunião entre o sindicato e o ministro das infraestruturas.

Leia mais em Dinheiro Vivo a sua marca de economia

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG