Saudi Aramco, a petrolífera que valerá 35 vezes mais do que a Bolsa de Lisboa

A entrada em Bolsa em 2017 avalia empresa em 1,8 biliões de euros. Objetivo: diversificar e reduzir a dependência do petróleo

A maior petrolífera do mundo poderá tornar-se, muito em breve, a empresa mais valiosa de sempre. A gigante estatal Saudi Aramco deverá entrar no mercado de capitais no próximo ano, naquela que será a maior estreia em Bolsa à escala planetária - as estimativas de avaliação são de dois biliões de dólares (1,8 biliões de euros).

A confirmar-se o valor da oferta pública inicial (IPO), significa que as ações da Saudi Aramco terão um valor de mercado dez vezes superior ao da tecnológica Apple ou 20 vezes acima da capitalização bolsista da rival norte-americana Exxon Mobil. O número ganha maior dimensão quando analisado à luz da realidade portuguesa. Contas feitas, a Saudi Aramco valerá 35 vezes mais do que a Bolsa de Lisboa, atualmente avaliada em pouco mais de 52 mil milhões de euros.

"Estamos muito atentos às condições atuais do mercado, que, apesar de desafiante, representa uma excelente oportunidade para crescermos", afirmou Amin Nasser. O CEO da petrolífera garantiu que, apesar da privatização parcial da empresa com a venda de 5% do capital, o governo manterá o controlo sobre os níveis de produção quer de petróleo quer de gás, salientando que "a produção é soberana".

O IPO, que está a ser preparado pelo JP Morgan e pelo banqueiro Michael Klein, prevê que a Saudi Aramco seja cotada na Bolsa de Riade mas também numa praça internacional, estando Londres, Nova Iorque e Hong Kong na lista de preferências. No caso de a escolha recair na primeira, a dimensão da Bolsa de Londres irá triplicar face às congéneres alemã e francesa. De acordo com os cálculos do jornal britânico Telegraph, com a entrada da Aramco, a Bolsa de Londres crescerá 62% e terá quase três vezes o tamanho da bolsa alemã e francesa, os dois maiores mercados da Europa, logo a seguir ao inglês.

Para aumentar ainda mais as probabilidades de sucesso da operação, as autoridades sauditas pretendem contar com a ajuda das petrolíferas rivais. A Exxon Mobil, a chinesa Sinopec e a britânica BP foram sondadas para avaliar a sua possível entrada no capital da petrolífera saudita, acenando em troca com o acesso a operações de extração em solo árabe e contratos de exploração.

A Aramco quer expandir-se globalmente por meio de joint ventures na Ásia e na América do Norte. "Estamos a olhar para o status atual do mercado, que, mesmo desafiador, é uma excelente oportunidade para crescimento", explicou Amin Nasser, o CEO da companhia. EUA, Índia, Indonésia, Vietname e China são alguns dos alvos na mira.

A venda de apenas 5% do capital da Saudi Aramco faz parte do plano Vision 2030, que Riade pretende implementar nos próximos 15 anos. O plano de longo prazo tem o objetivo de reduzir a dependência da economia da Arábia Saudita das receitas do petróleo, depois dos estragos causados pela queda a pique dos preços do petróleo - a mínimos de 12 anos - no orçamento do maior produtor mundial. A diversificação de investimentos e fontes de receitas irá desde a produção de armas a fábricas de automóveis, passando por petroquímicas e pelo turismo.

"Não permitiremos que o nosso país fique mais uma vez à mercê da volatilidade dos preços das matérias-primas. O objetivo é que dentro de 20 anos sejamos uma economia, ou Estado, que não dependa principalmente de petróleo", garantiu o príncipe Mohammed bin Salman.

Além da privatização da petrolífera estatal, a Arábia Saudita pretende criar o maior fundo soberano do mundo, alargar o número de empresas cotadas na Bolsa através de um programa de privatizações aberto a investidores de todas as nacionalidades.

No entanto, são vários os analistas que questionam não só o preço elevado da privatização da Aramco como o facto de a operação poder representar um sinal de que a Arábia Saudita poderá estar preocupada com as perspetivas de longo prazo do petróleo.

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