Sapatos portugueses prometem fazer "muito barulho" na Colômbia

A edição de 2017 da Colombiamoda decorre entre hoje e quinta-feira, em Medellín. Dos 600 potenciais clientes contactados pela associação do calçado, 80% devem estar presentes

Outdoors nas ruas de Medellín, anúncios nos jornais e revistas de moda, celebridades a passear com calçado português, uma conferência de imprensa, um desfile. "Vamos fazer muito barulho." A promessa foi feita por Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, a associação portuguesa do calçado, dias antes de viajar para a América Latina para participar na Colombiamoda, a semana da moda da Colômbia, que começa hoje em Medellín. De Portugal viajaram dez empresas de calçado, que estarão presentes com 12 marcas, e 10 de têxteis.

Há quatro anos, Portugal não exportava calçado para a Colômbia. "Os valores eram perfeitamente insignificantes. Este ano devemos atingir valores na ordem dos dois milhões de euros", adiantou ao DN Paulo Gonçalves. A partir daquele mercado, o calçado made in Portugal tem conseguido chegar a outros países da América Latina, como o Peru, Chile, Panamá, México e até o Brasil. "É uma feira muito importante. Para esse conjunto de mercados, para os quais não exportávamos nada há meia dúzia de anos, estamos a chegar a valores próximos dos cinco milhões de euros. Este investimento tem valido a pena", avança o porta-voz da APICCAPS.

A "indústria mais sexy da Europa" exporta mais de 80 milhões de pares de sapatos por ano, o que representa 95% do que produz, mas "há áreas geográficas nas quais a nossa presença era perfeitamente incipiente e é exatamente nessas que se procura investir". No último mês, a representante da APICCAPS na Colômbia contactou 600 potenciais clientes, dos quais 80% confirmaram a sua presença no evento. "Isto equivale a dizer que as perspetivas para esta Colombiamoda são francamente positivas." No decorrer do evento, são lançadas várias ações de comunicação e imagem para valorizar o calçado português.

Entrada na América Latina

Clara Henriquez, diretora de plataformas comerciais da Inexmoda, que organiza o evento, reforça que "as empresas portuguesas têm ficado entusiasmadas com a participação na Colombiamoda, pois sabem que a feira é uma porta de entrada muito importante para o mercado da América Latina".

As marcas nacionais "estão a começar a entender o mercado da América Latina, que é caracteristicamente mais urbano e casual do que o da Europa - compradores habituais de calçado português".

Aos portugueses é oferecida "ajuda e parceria" para que entendam juntos "o que é que vai fazer que o mercado da América Latina se mova". "Ter conexões com grandes distribuidores é nossa responsabilidade enquanto organizadores da Colombiamoda", diz ao DN.

Quanto à importância do evento para as empresas que nele participam, Clara Henriquez destaca que "é pertinente capitalizar conhecimento, entender que o retorno sobre o investimento acompanha o conhecimento e as conexões. Este mercado, como qualquer mercado no mundo, valoriza a proeminência de eventos, porque isso significa a segurança da compra de uma fonte estável. Além disso, um potencial distribuidor ou representante nesta parte do mundo investe não apenas numa nova empresa em si mas também no seu posicionamento e determinação para prosperar, no momento, num mercado desconhecido".

Sobre a forma como as tendências da América Latina se posicionam nas europeias, a diretora comercial da Inexmoda explica que "estamos a falar de mercados globais, em que as tendências são as mesmas, ainda que, dependendo do estilo de vida dos habitantes, sejam elas refletidas com mais ou menos intensidade". É nisto, avança, "que as empresas portuguesas estão a começar a trabalhar cooperativamente, com o objetivo de encontrar o equilíbrio certo para ter sucesso com um público ligeiramente diferente".

10 empresas de têxtil presentes

Sandra Duarte, representante da Têxteis Penedo, estará na Colombiamoda pela primeira vez. "Vamos tentar entrar no mercado colombiano, porque não temos qualquer representação lá", disse ao DN, antes de viajar para a América Latina. A empresa, que tem nos EUA o seu principal mercado, procura não só chegar à Colômbia mas também a países como o Chile e a Argentina. "Queremos fazer contactos para angariar clientes."

A Associação Selectiva Moda revelou já que a "presença portuguesa no certame é composta por dez empresas nacionais têxteis, sete das quais (Bow Best On Water, Dr. Kid, FS Baby, Katty Xiomara, Lemar, NST Apparel e Têxteis Penedo) contam com o apoio" da associação, no âmbito do projeto de internacionalização From Portugal.

Até quinta-feira à noite são esperadas 50 mil pessoas na Colombiamoda: cerca de cinco mil na feira, aproximadamente 30 mil nos 36 desfiles de moda agendados e outras 15 mil pessoas no pavilhão do conhecimento, um ciclo de conferências e workshops.

Em Medellín. A jornalista viajou a convite da Inexmoda

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