Ryanair ameaça quem não cumprir serviços mínimos

Greve de cinco dias arrancou esta quarta-feira. Sindicato critica serviços mínimos decretados pelo Governo

Os tripulantes da Ryanair iniciaram esta quarta-feira uma greve de cinco dias, mas o Governo decretou serviços mínimos, o que levou a transportadora aérea a ameaçar com "procedimentos disciplinares" a quem não os respeitar.

A Ryanair alertou o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que convocou a greve, que todos os tripulantes convocados para garantir os serviços mínimos têm de cumprir os seus deveres, incluindo o de "avisos, vendas, apoio ao cliente, etc", segundo escreve o Público desta quarta-feira.

Na terça-feira, a Ryanair referiu que não esperava "perturbações significativas" por causa da greve, mas salientou que não podia "descartar alguns atrasos" ou mudanças nos voos. "Faremos tudo o que pudermos para minimizar as perturbações causadas aos nosso clientes e às suas famílias", garantiu à Lusa a transportadora irlandesa. Acrescentou que "os passageiros que não receberam um e-mail ou uma mensagem podem esperar que os seus voos para e de Portugal se realizem normalmente esta semana".

O pré-aviso de greve do SNPVAC previa que a paralisação afetasse todos os voos da Ryanair cujas horas de apresentação ocorram entre as 00:00 e as 23:59 (tendo por referência as horas locais) e os serviços de assistência ou qualquer outra tarefa no solo. Contudo, dada a falta de acordo entre a transportadora low cost e o sindicato, o Governo decretou serviços mínimos que incluem um voo diário de ida e volta entre Lisboa e Paris; entre Lisboa e Berlim; entre Porto e Colónia; entre Lisboa e Londres; entre Lisboa e Ponta Delgada, bem como uma ligação de ida e volta entre Lisboa e a Ilha Terceira (Lajes), hoje, na sexta-feira e no domingo.

O sindicato disse que "repudia veementemente mais uma tentativa do Governo em aniquilar o direito à greve dos portugueses e, em particular, dos tripulantes da Ryanair", garantindo que não aceita "que se defenda os interesses económicos de uma empresa privada e estrangeira em detrimento dos direitos de trabalhadores portugueses".

No comunicado de 1 de agosto, o SNPVAC salientou como a Ryanair continua a "incumprir com as regras impostas pela legislação portuguesa, nomeadamente no que respeita ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ao número de dias de férias e à integração no quadro de pessoal dos tripulantes de cabine contratados através das agências Crewlink e Workforce".

No dia 9 de agosto, o sindicato denunciou que a companhia aérea tinha enviado aos tripulantes um questionário online com o objetivo de saber se vão participar na paralisação.

O PCP reagiu à decisão do Governo de decretar serviços mínimos, considerando que é uma "afronta" à lei da greve, falando de uma "escalada reacionária contra os direitos dos trabalhadores".

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