Resiliência e formação essenciais para a retoma económica em tempo de pandemia e guerra

A conferência "Depois do covid-19 e a atual situação trágica: Que retoma económica?" mostrou os vários caminhos para as empresas em tempos difícieis.

Resiliência e formação são as palavras-chave para ultrapassar a crise económica do pós-pandemia e dos tempos de guerra que o mundo atravessa. Essa pode ser a conclusão da conferência "Depois do covid-19 e a atual situação trágica: Que retoma económica?", que se realizou na manhã desta quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Políticos, dirigentes associativos, empresários e gestores públicos e privados lusófonos e francófonos analisaram o caminho a seguir, bem como o papel e a dinâmica de construção do espaço económico.

Segundo os vários oradores a resiliência permitirá às empresas ultrapassar este período marcado pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. Stéphane Layani, da Rungis Marché International, o principal mercado de Paris, disse mesmo que "a única solução para sair das crises económicas é agir".

Foi ainda levantada a questão da formação dos jovens e a importância de capacitá-los para o futuro. "Temos de ouvir as novas gerações, apesar de nem sempre ser fácil, para os dois lados da equação e formá-las porque a verdade é que são eles que vão estar cá depois de nós", explicou Dominique Restino, presidente da Câmara de Comércio e da Indústria de Paris Île-de-France. Além da formação dos jovens, também a formação dos trabalhadores que já estão nas empresas foi defendido como forma de as empresas manterem a boa saúde.

Nestes tempos conturbados, a autonomia das empresas é tida como fundamental , uma vez que depender de outros países é perigoso. "Não nos podemos pôr em situação de dependência, a covid-19 mostrou isso com as vacinas e agora a guerra está a mostrá-lo com o gás russo", defendeu a eurodeputada Isabel Wiseler-Lima.

A jurista Paula Osório abordou o caso de Portugal e de como a pandemia colocou a nu a dependência dos setores da economia. "Há muitos anos que os especialistas alertam para a importância da reindustrialização de Portugal, da necessidade de haver uma autonomia, de deixar de depender de um único setor", sublinhou.

Os oradores consideraram que o crescimento das empresas tem de ser feito de forma pensada e não descontrolada, sobretudo num momento de crise, que acaba por ser uma oportunidade para fazer mais e melhor.

A transformação digital e as práticas ambientais são pontos positivos que os empresários veem nos tempos que se vivem, mas acreditam que não é um caminho assim tão simples, pois tem de ser feito com calma para ser com qualidade.

Este Fórum Económico Internacional foi dinamizado pelo departamento de Estratégia e Desenvolvimento Económico do Instituto do Mundo Lusófono.

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