Rendas comerciais em zonas nobres ao nível de 2019

O Chiado é a zona comercial do país onde o preço por metro quadrado é mais elevado. Rua Garrett é a 27ª mais cara do mundo.

Dois anos depois da pandemia de covid-19 que encerrou o comércio, os valores do arrendamento de lojas em zonas nobres da cidade Lisboa quase que recuperaram face a 2019 e a oferta de espaços existentes não chega para satisfazer a procura. Quem é o diz é Sandra Campos, diretora do departamento de Retalho da consultora imobiliária Cushman & Wakefield (C&W). "O impacto nas rendas do Chiado não foi diferente de qualquer outra zona do país. Vivemos dois anos de pandemia com fortes repercussões no setor de retalho a nível global, contrariando a procura, o que resultou numa inevitável quebra de rendas. Os proprietários viram-se obrigados a praticar condições mais favoráveis de modo a manter os contratos em vigor", explica. "A descida face a 2019 foi de cerca de 6%, mas entretanto já se perspetiva uma recuperação total face aos valores praticados pré pandemia", assegura a responsável da C&W.

Foi a cooperação entre proprietários e arrendatários que permitiu que as lojas se mantivessem abertas durante o pior momento da pandemia, defende Sandra Campos, que sublinha como principal efeito no mercado o maior tempo de absorção de lojas vagas. Mas o cenário neste final de 2022 é o oposto. "À data de hoje, a procura não vê satisfeita na oferta as suas necessidades, o que significa uma quase total ausência de espaços de qualidade para arrendamento nas zonas prime da cidade", sublinha.

O Chiado é a 27ª zona comercial mais cara do mundo, de acordo com o ranking Main Streets Across the World da C&W, tendo subido duas posições face ao estudo anterior, de 2019. Segundo a consultora, a renda prime na Rua Garrett tem vindo a valorizar desde 2013, situando-se, atualmente, nos 1426€ euros anuais por metro quadrado, "valor cinco vezes superior ao registado há 30 anos na zona mais cara de Lisboa".

A subida do Chiado na lista encabeçada pela 5ª Avenida em Nova Iorque é justificada por Sandra Campos pelo facto de Lisboa se ter tornado "uma cidade muito atrativa, aberta ao mundo e capaz de captar o interesse de retalhistas de referência, ultrapassando cidades como Budapeste e Istambul que registaram fortes quebras, permitindo a ascensão de Lisboa e em particular do Chiado".

Avenida da Liberdade distingue-se pelo luxo e regista "níveis de procura sem precedentes" desde o início do ano, adianta a Cushman & Wakefield .

A valorização das zonas nobres da capital portuguesa também se deve à retoma do turismo. "O Chiado é uma zona caracterizada por um forte fluxo de turistas, nacionais e estrangeiros, e é um must see de Lisboa. É cada vez mais um destino mass market que se alimenta deste fluxo. Esta zona, nomeadamente a Rua Garrett, tem uma dimensão bastante reduzida, pelo que as marcas lá instaladas, mesmo em pandemia, não abdicam deste ponto de venda por reconhecerem o seu valor estratégico neste segmento", sublinha a consultora.

O Chiado consegue superar a Avenida da Liberdade, mas a procura desta localização também é elevada. "A Avenida da Liberdade, com muito mais tradição enquanto destino de luxo, regista desde o início do ano níveis de procura sem precedentes. Há uma clara falta de espaços de qualidade e a reabilitação tem que ser o caminho para a entrada de novos players no setor do luxo. Mantendo-se este cenário, prevemos uma subida nos valores de renda prime, aliás já refletida nas mais recentes transações", avança a Sandra Campos.

No Porto, a Rua Santa Catarina e a zona envolvente, como a do recém-inaugurado Mercado do Bolhão, concentra a maior oferta, mas a consultora destaca que "a Avenida dos Aliados tem-se vindo a afirmar como o novo destino de luxo do P

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