Quebra de lucros e venda de ativos marcam dia-chave para a EDP

A elétrica anuncia a sua estratégia nesta terça-feira, em plena OPA e com o fundo Elliott a pressionar. Resultados de 2018 descem com o efeito das medidas em Portugal.

A venda de ativos em Portugal é um dos objetivos da EDP que deverá marcar a agenda de terça-feira, dia em que a elétrica faz uma atualização da sua estratégia e divulga as contas de 2018. A EDP pretende vender ativos de produção de eletricidade em Portugal para expandir o negócio das renováveis, noticiou a Reuters na passada sexta-feira.

O grupo liderado por António Mexia faz esta atualização estratégica a investidores numa altura em que ainda está sob a oferta pública de aquisição (OPA) lançada há quase um ano pelo seu acionista principal, a China Three Gorges. Recentemente, o fundo Elliott apresentou um plano alternativo à OPA que passa pela venda de ativos-chave da EDP e um reforço da remuneração aos acionistas. Mas a elétrica nega que esta seja "uma resposta ao grupo Elliott, que se limitou a identificar algumas medidas estratégicas que poderiam ser adotadas pela EDP", porque "a EDP tem a sua própria estratégia".

Certo é que a venda de ativos em Portugal também pode servir para acomodar eventuais remédios e ajudar a OPA da CTG. "A ser verdade, a venda de ativos pode significar que a OPA afinal está viva", afirmou Filipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros. Segundo a Reuters, a EDP também iniciou um processo de venda da sua central termoelétrica no estado do Ceará, no Brasil, avaliada em 520 milhões de dólares.

A Elliott estima que a EDP poderia encaixar 7600 milhões de euros com a venda de ativos.

A OPA da chinesa sobre a EDP, no valor de nove mil milhões de euros, enfrenta fortes obstáculos, nomeadamente regulatórios, tanto na Europa como nos Estados Unidos, dado o poder de mercado do grupo nos negócios e regiões onde atua. A OPA incide sobre a EDP e a sua subsidiária EDP Renováveis que opera em 11 mercados.

A EDP é responsável pela produção de 90% da energia elétrica em Portugal. Os seus ativos de produção de eletricidade na Península Ibérica valem entre 1700 milhões de euros e 1900 milhões de euros, segundo a agência noticiosa. O fundo Elliott - conhecido como fundo abutre - tem 2,9% da EDP e tem o objetivo de aumentar a sua posição no grupo.

O presidente do conselho geral e de supervisão da EDP, Luís Amado, frisou numa audição recente no Parlamento que a elétrica não irá acabar como a Portugal Telecom. O grupo de telecomunicações acabou por ser desmantelado após ter adotado um plano milionário de remuneração acionista e ter-se envolvido num investimento no Grupo Espírito Santo. Era um plano estratégico semelhante ao proposto pelo Elliott para a EDP, na altura visava derrotar a OPA da Sonae sobre a PT.

Segundo o plano do Elliott, a EDP poderia encaixar 7600 milhões de euros com a venda de ativos, nomeadamente com a venda dos 51% na EDP Brasil e de ativos de geração de energia, por 1700 milhões de euros, e de 49% do negócio de distribuição de eletricidade na Península Ibérica. Segundo o fundo, a EDP poderia investir 3500 milhões de euros para acelerar o investimento em projetos de energia renovável. O fundo também propõe a recompra de ações com num valor de 1200 milhões de euros.

Menos lucros

A apresentação da EDP aos investidores acontece num momento-chave em que se duvida de que a OPA tenha sucesso e quando há pressão regulatória em Portugal. Em 2018 os resultados da EDP já foram penalizados por medidas no mercado português, segundo António Mexia. Em declarações à Lusa, o presidente executivo da EDP disse, em novembro passado, que o grupo deveria fechar 2018 com um lucro líquido entre os 500 milhões de euros e os 600 milhões de euros, penalizado pelas medidas que custaram 319 milhões de euros. Em 2017, a EDP teve lucros de 1113 milhões de euros, mais 16% do que no ano anterior.

Em 2018 os resultados da EDP já foram penalizados por medidas no mercado português.

A EDP anunciou em setembro uma revisão em baixa dos seus resultados, mas alcançando os 800 milhões de euros de lucros previstos. Nos primeiros nove meses de 2018, a EDP registou um lucro líquido de 297 milhões de euros, uma queda de 74% face ao resultado de 2017. Num comunicado ao mercado, a EDP explicou na altura que tinha sido notificada a pagar 285 milhões de euros por alegada sobrecompensação pela disponibilidade das centrais. A medida alterou "a expectativa de resultado líquido consolidado do Grupo EDP em 2018", que não mexe na sua política de dividendos.

A EDP Renováveis e a EDP Brasil já divulgaram os seus resultados de 2018. A brasileira registou um aumento de 108% do seu lucro em 2018, para 1,3 mil milhões de reais - mais de 305 milhões de euros. É o melhor resultado da empresa em mais de duas décadas de operação no Brasil, referiu a elétrica no comunicado com as contas anuais.

A EDPR registou um lucro de 313 milhões de euros, mais 14% do que no ano anterior. A empresa vai propor a distribuição de dividendos no valor de 61,1 milhões de euros, ou sete cêntimos por ação.

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