Quase 30% dos trabalhadores têm "prazos insuficientes" para cumprir as tarefas

45,7% da população empregada é contactada fora do horário laboral, valor que sobe para os 56,8% nos trabalhadores por conta de outrem

Quase 30% dos trabalhadores em Portugal afirma trabalhar "sempre ou muitas vezes", sob pressão de tempo, tendo de terminar tarefas e trabalhos, ou tomar decisões, dentro de "prazos considerados insuficientes". E quase metade são contactados profissionalmente fora do horário de trabalho. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística e referem-se ao estudo "Organização do trabalho e tempo de trabalho", realizado a partir do Inquérito ao Emprego. Esta é a quarta edição deste estudo, sendo que a última havia sido realizada em 2015, ambos com dados do segundo trimestre. Desde então, aumentou a flexibilidade do trabalho, mas, também, a autonomia dos trabalhadores. Em contrapartida parece ser mais difícil gozar o tempo de descanso sem interrupções de cariz profissional.

Segundo os dados do INE, quase dois terços dos trabalhadores em Portugal não têm liberdade para decidir o seu horário de trabalho, que é definido pela entidade empregadora, pelos clientes ou pelas disposições legais. Esta é a realidade de 64,7% da população empregada, um número que é 2,1 pontos percentuais mais baixo do que 2015. No entanto, para 67,6% da população empregada "parece ser fácil ou muito fácil" ausentar-se, por motivos pessoais ou familiares, do seu local de trabalho, por um curto período de tempo, avisando de véspera ou no próprio dia. E 42,8% dos trabalhadores não têm qualquer dificuldade em tirar um ou dois dias de férias, com pouca antecedência. Em 2015, estes valores eram de 62,9% e de 39,9%, respetivamente.

Cerca de 63,3% da população empregada indica que altera o seu horário de trabalho diário "apenas pontualmente", ou seja, menos de uma vez por mês, devido às exigências do trabalho, dos clientes ou dos superiores hierárquicos, e 55,3% dos inquiridos "nunca ter sido contactado profissionalmente fora do horário de trabalho nos últimos dois meses". Um valor que é 1,3 pontos percentuais inferior ao de 2015. Mas nos trabalhadores por conta de outrem, cerca de 56,8% dos inquiridos assinalou a existência desses contactos, percentagem que sobe para 60,5% nos contratos com termo, sublinha o INE.

A falta de tempo para executar as tarefas necessárias é apontado por 28,8% da população empregada, sendo que 34,1% dos inquiridos dizem ter "total ou muita autonomia" no modo como fazem o trabalho. Uma situação reportada por 35,9% dos homens e apenas 32,4% das mulheres. Porém, frisa o INE, "13,5% dos empregados refere ter pouca ou nenhuma autonomia".

Ilídia Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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