Portugal melhora posição com ranking para as economias de inovação

O Fórum Económico Mundial fez uma revolução nos indicadores que medem a competitividade dos países. A meta agora é a inovação, e Portugal chega ao 34.º lugar.

Se o mundo fosse uma pista de 100 metros onde a meta representasse a transição para uma economia de inovação plena, flexível e apetrechada das mais recentes tecnologias industriais, Portugal estaria a 30 metros do fim. Os Estados Unidos estariam a curtas passadas de cortar a fita, mas um grupo cerrado seguiria atrás, sem ter ainda percorrido os primeiros 50 metros da competição.

O Fórum Económico Mundial mudou este ano as regras da prova de competitividade global onde os países se comparam anualmente quanto à capacidade de promover e atrair investimento. O Índice de Competitividade Global da organização em 2018 recebe o afixo 4.0, com 60% dos indicadores alterados. O objetivo é medir a aproximação à chamada quarta revolução industrial. E a conclusão é que todos estão atrasados numa corrida que seria de velocidade, mas que ainda segue a passo frouxo.

Com as novas regras da prova, Portugal continua a ficar longe dos candidatos ao pódio - Estados Unidos, Singapura e Alemanha -, mas sem prejudicar a sua posição face ao ranking anterior, que com outros critérios o colocava numa 46ª posição. Entre o melhor (capital humano) e o pior que tem (ecossistema de inovação), o país fica desta vez em 34.º, com 70,2 pontos. Os novos indicadores favorecem o país.

Segundo o relatório, se estes tivessem sido adotados em 2017, Portugal teria há um ano sido classificado em 33.º lugar. Em 2018, recuaria uma posição, mas melhoraria o índice, que agora é calculado numa escala de 0 a 100, em 0,5 pontos.

Se o melhor de Portugal são as pessoas, o capital humano, isso deve-se a um subindicador: a esperança média de vida com saúde (70,5 anos). Aqui, o país é o 22.º do mundo, quase a fazer o pleno, com 95,3 pontos. A saúde das pessoas contrasta, no entanto, com a dos bancos, o pior subindicador entre os 98 que servem para medir a competitividade este ano. Em robustez das instituições financeiras, o país obtém um 127.º lugar, com 38,7 pontos, com base nas opiniões de mais de 160 gestores do país.

Com parte dos indicadores construídos via inquérito - os restantes são apoiados em indicadores oficiais -, as opiniões dos gestores também dão uma das classificações mais negativas à flexibilidade das leis que regulam o recrutamento e o despedimento. Aqui, Portugal tem um 121.º lugar e pontuação ainda pior (33,7pontos).

Os mesmos gestores consideram no entanto que o país está entre os melhores no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores. Dão ao país um 14.º lugar, e um total de 90,7 pontos.

"A economia global não está preparada para a quarta revolução industrial", resume o documento.

Nas competências, indicador de avaliação que é liderado pela Finlândia, Portugal tem um 41.º lugar graças a indicadores como a mediana de escolaridade da população - 8,9 anos, com o país a ficar para trás numa 75.ª posição. Já a facilidade em encontrar mão de obra qualificada (32.º lugar) e as competências dos licenciados (29.º) recebem avaliações positivas dos empresários nacionais.

Inovação e dinamismo

Quanto aos indicadores de capacidade de inovação e dinamismo empresarial, Portugal classifica-se, respetivamente, com uma 32.ª (53,1 pontos) e uma 27.ª (69,7 pontos) posição. Portugal ronda a sua classificação geral nos indicadores de patentes (35.º), despesas com I&D (30.º) ou publicações científicas (31.º). E obtém o pior resultado deste conjunto na capacidade de delegar trabalho (70.º), aqui na opinião dos gestores inquiridos.

Portugal não é o único distante da meta em muitos aspetos. O relatório do Fórum Económico Mundial de 2018 pretende fixar uma nova fronteira onde todos têm espaço para melhorar. Se os Estados Unidos são os que estão mais próximos do limiar máximo de competitividade, com 85,6 pontos, a média mundial anda bastante abaixo, nos 60,4 pontos. E 103 em 140 economias recolhem menos de 50 pontos no índice geral.

"A economia global não está preparada para a quarta revolução industrial", resume o documento.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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