Portugal mais próximo da Europa com investimento de 500 milhões em ferrovias

Os portos de Sines, Setúbal e de Lisboa serão beneficiados com este investimento na nova linha ferroviária Évora-Elvas, pensado com o foco no transporte de mercadorias, que aproxima Portugal de toda a Europa.

As ligações ferroviárias entre Portugal, Espanha e a Europa foram ontem fortalecidas com o lançamento do concurso para a construção da nova linha Évora-Elvas e o arranque da obra de modernização do troço Elvas-Caia (na fronteira), um investimento global de 509 milhões. A nova linha começa a ser edificada no primeiro trimestre de 2019, quando ficar concluído o troço Elvas-Caia, e deverá estar finalizada nos primeiros meses de 2022, permitindo ligar os portos de Sines, Setúbal e de Lisboa à Europa.

A relevância da empreitada juntou em Elvas o primeiro-ministro, António Costa, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e a comissária europeia dos Transportes e Mobilidade, Violeta Bulc.

O corredor internacional sul, como é designada esta linha no âmbito do plano Ferrovia 2020, permitirá incrementar a circulação para 51 comboios por dia (contra os atuais 36) e a capacidade dos trens para 750 metros (atualmente são de 400), reduzir o tempo do trajeto, utilizar a tração elétrica e melhorar as condições de segurança. No total, as obras neste corredor - projetado com o foco nas mercadorias, embora também possa servir passageiros - terão um custo de 662,7 milhões de euros, comparticipado em 220,6 milhões por fundos europeus.

António Costa realçou que esta linha garante ligações mais rápidas (uma redução de cerca de 3h30), custos 30% mais baixos para quem for operar nos portos de Sines, Setúbal e de Lisboa e encurta distâncias em 140 quilómetros. "Esta obra vai reforçar a nossa competitividade", abrindo a "porta à Europa" do "porto de águas profundas" de Sines.

Da parte da tarde foi dado o arranque à obra de reativação da linha Covilhã-Guarda, inserida no denominado corredor internacional norte. Em causa está a modernização e a eletrificação de um troço de 46 quilómetros, um investimento de 85 milhões de euros, também comparticipado com verbas comunitárias, que deverá entrar em operação no segundo semestre do próximo ano. Todas estas empreitadas inserem-se no plano de investimentos em infraestruturas Ferrovia 2020.

O plano, orçado em cerca de dois mil milhões de euros, tem neste momento 80% do investimento total em fase de projeto, ou seja, perto de 1,7 mil milhões. Segundo a Infraestruturas de Portugal, estão em fase de obra 19% do investimento (ou 400 milhões de euros), por iniciar ações com custos de 34 milhões e foram concluídas intervenções de 3,1 milhões.

"Vivemos anos de dura crise, conseguimos virar essa página", tendo chegado "a hora de apostar também no investimento público", considerou António Costa. O lançamento destas obras na linha Évora-Elvas é um investimento público "que contribui para melhores condições para o investimento privado, para a internacionalização e para a exportação dos nossos produtos e serviços".

"Chegou a hora de, em primeiro lugar, apostar também no investimento público e, em segundo lugar, com o investimento público ajudar a sustentar o crescimento económico que tem estado assente sobretudo no investimento privado e nas exportações." António Costa adiantou que o investimento público deverá registar neste ano "um aumento de 40%". E quer que esse incremento se reflita na "saúde, na educação e em infraestruturas", mas que sirva também para "aumentar a produtividade" da economia, "a capacidade de exportar", "ajude os investidores a investir" e "as pessoas a poderem ter mais e melhor emprego".

Mariano Rajoy classificou como "excelentes notícias" o arranque da construção da linha Évora-Caia e destacou o "trabalho" desenvolvido entre Portugal e Espanha sobre este projeto ferroviário. "As linhas Évora-Elvas e Elvas-Caia vão ao encontro desse objetivo de capital importância, unir os nossos cidadãos e melhorar o seu dia-a-dia."

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