Nova OPA do CaixaBank deve oferecer 1,329 euros por ação

Pormenores da saída de Isabel dos Santos do BPI e reforço no BFA ainda não foram comunicados ao regulador do mercado

Os termos do acordo entre os dois maiores acionistas do BPI para resolver a exposição do banco a Angola ainda não foram revelados. O que se sabe, para já, é que, conforme determina a Lei das Ofertas Públicas de Aquisição, a oferta feita à Santoro tem de ser a mesma para todos os acionistas. Ou seja, a oferta do banco catalão tem de ser sobre a totalidade do capital do BPI.

O mercado não espera alterações em relação ao que aconteceu em fevereiro de 2015, quando o CaixaBank lançou uma OPA sobre o BPI. A operação acabou por falhar, uma vez que o preço não agradou nem à administração nem aos restantes acionistas do BPI.

O CaixaBank ofereceu, nessa altura, 1,329 euros por ação do banco português, o que correspondia a um prémio de 27,4% em relação à cotação de então e avaliava o BPI em 1,9 mil milhões de euros. Desta vez, o preço oferecido deverá ser o mesmo, antecipam os analistas.

Se for essa a oferta, o prémio é, neste momento, de 11,5% face à cotação do BPI. O banco, que continua com a negociação das ações suspensas até que divulgue ao mercado mais pormenores sobre o acordo alcançado, está a valer 1,191 euros por ação. Depois de resolvido o impasse que durou 481 dias, a CMVM suspendeu a negociação das ações do banco "até divulgação de informação relevante".

No entanto, até ao fecho desta edição, ainda não tinha sido comunicado ao regulador o método que envolverá a redução da posição de Isabel dos Santos do BPI.

Tal como o DN/Dinheiro Vivo adiantou ontem, o acordo final deverá envolver uma entrada do Banco de Fomento Angola (BFA) na bolsa portuguesa e poderá não passar por uma saída total da empresária do BPI.

Tudo indica que Isabel dos Santos reduza a sua posição atual de 18,6% para adquirir os atuais 50,1% do BPI no Banco de Fomento Angola. Para fortalecer o BFA, por seu lado, a empresária pretende fazê-lo entrar na bolsa portuguesa, ainda que o banco não tenha uma licença bancária que lhe permita operar em Portugal. Mesmo sem balcões, a negociação em bolsa do BFA é vista como uma forma de aumentar a credibilidade financeira do banco, ao mesmo tempo que melhoram as suas oportunidades de financiamento.

Em comunicado enviado à CMVM neste domingo às 22.59, o BPI referiu que as negociações "se encerraram com sucesso", acrescentando que a solução se encontra vertida num conjunto de documentos contratuais que serão apresentados aos órgãos sociais competentes nos próximos dias - BPI, do CaixaBank e da Unitel (a operadora de telecomunicações através da qual a empresária Isabel dos Santos controla 49,9% do BFA) - e que, assim que sejam aprovados, serão comunicados ao mercado. Não há por isso ainda garantia de quando serão conhecidos todos os termos que envolveram a negociação entre a Santoro e o banco catalão e que dirão como o CaixaBank deverá ficar a controlar a maioria (ou até a totalidade) do banco português. Atualmente, o CaixaBank detém 44,1% do BPI.

Mesmo sem grandes pormenores, António Costa, que terá estado envolvido pessoalmente nas negociações, já admitiu ter felicitado as empresas envolvidas, adiantando que é um sinal de credibilidade e confiança em Portugal. Também Marcelo Rebelo de Sousa se mostrou "satisfeito" pelo sucesso das negociações, por considerar que "é bom para o país".

O acordo entre as duas partes tinha de ser alcançado até ao final deste domingo por imposição do Banco Central Europeu, que obrigou a uma limitação dos riscos que o mercado angolano poderia trazer para o banco português.

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