Nova marca vai promover cerâmica nacional na Europa e Estados Unidos 

A Portugal Ceramics resultou de um investimento de quase um milhão de euros e tem como objetivo elevar perceção da qualidade da cerâmica portuguesa em mercados-chave.

Portugal Ceramics é a marca criada pela Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER) para promover o setor nos mercados internacionais e que hoje é formalmente apresentada no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. O objetivo é conseguir um novo posicionamento da cerâmica portuguesa, em especial na área decorativa e utilitária e dos revestimentos e pavimentos, que permita "ultrapassar a imagem de produto low cost tantas vezes associada a Portugal".

"A marca Portugal Ceramics vem responder à necessidade de conseguir uma identidade cuja essência seja capaz de influenciar a perceção que os diferentes mercados e atores da cadeia de abastecimento - distribuidores, prescritores, designers, arquitetos e consumidores - têm da cerâmica portuguesa", diz o novo presidente da associação. Sob o mote "A Arte da Possibilidade", a nova marca é o resultado do projeto Intercer - Promoção da Internacionalização da Cerâmica Portuguesa, num investimento total de quase 931 mil euros, apoiado pelo Compete 2020, e pretende comunicar, de forma "coerente e consistente" os "valores fundamentais" da indústria: qualidade, design e inovação dos produtos cerâmicos, sem esquecer as questões da sustentabilidade, "como um dos pilares de valorização do setor", sustenta José Cruz Prata.

A escolha do mote Arte da Possibilidade pretende precisamente ilustrar a "predisposição das empresas para resolverem problemas e serem prestáveis", procurando encontrar a solução mais adequada aos desafios dos seus clientes.
Este é um setor constituído por 1092 empresas, maioritariamente microempresas - do total, só 175 têm dez ou mais trabalhadores -, e que dão emprego a 18 196 trabalhadores, assegurando um volume de negócios de mais de 1100 milhões de euros.

O ano de 2021 foi o melhor de sempre para as exportações da fileira, que atingiram os 813,2 milhões de euros, repartidos por 158 mercados internacionais. França, Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido são os principais.

Quanto aos objetivos, e no que ao crescimento das exportações diz respeito, a verdade é que, embora o projeto só termine em junho de 2023, a meta definida foi já ultrapassada em 2021. O Intercer arrancou em 2020, tendo como ponto de partida exportações da cerâmica utilitária e decorativa e dos pavimentos e revestimentos de 513, 5 milhões de euros. O objetivo então traçado, para 2023, era de chegar aos 550 milhões. Na verdade, em 2020, com a pandemia, as exportações destes dois subsetores caíram para 508 milhões, mas, em 2021, ultrapassaram já os 615 milhões.

O setor, que reúne mais de mil empresas, está a ser fortemente atingido pelo aumento dos preços do gás natural e da eletricidade.

No global, a fileira cresceu 22,7% nos primeiros sete meses do ano, para 594 milhões de euros, mas José Cruz Prata salienta, no entanto, que "na perspetiva das empresas este aumento resulta da atualização dos preços do produto, pois em termos de volume verificou-se uma diminuição de produção". Uma quebra que não quantifica, lembrando, apenas, que, enquanto setor fortemente consumidor de eletricidade e gás natural, a cerâmica "está a ser seriamente afetada pela evolução dos preços da energia elétrica e combustíveis".

Lembra este responsável que o peso do gás natural na estrutura de custos das empresas "é de tal forma elevado" que os aumentos que se têm vindo a verificar no preço do gás "colocam em causa a sustentabilidade das suas empresas". Sobre as medidas de apoio recentemente anunciadas pelo Governo, José Cruz Prata opta pela estratégia diplomática: "Naturalmente que todas as medidas de apoio são bem-vindas, mas, ainda assim, insuficientes", frisa. A nova marca, para a qual foi desenvolvido um site específico, bem como catálogos, brochuras e diversos suportes à comunicação, será intensamente promovida através do meios digitais, mas também com ações promocionais em feiras internacionais, designadamente na Alemanha,

França e Itália, mas também nos Estados Unidos.
Quanto ao número de empresas que poderão beneficiar, indiretamente, de todo este trabalho, a APICER refere apenas que, tratando-se de um projeto do Sistema de Apoio a Ações Coletivas - Internacionalização, as empresas do setor não serão diretamente beneficiárias nem terão uma participação ativa nas ações de promoção a realizar. "O que se pretende é promover todo o setor e as empresas que o integram, evidenciando uma natureza coletiva, abrangente e não discriminatória que possa dar resposta a riscos e oportunidades comuns de um conjunto alargado de empresas", frisa José Cruz Prata.

O projeto Intercer termina em junho de 2023 e não faltam associados a pedir a sua continuação e reforço do investimento.

Ilídia Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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