NOS recebeu mais de 408 mil euros da Saúde desde a data das viagens pagas

Contratos de ajuste direto registados depois da notícia de que a empresa de telecomunicações pagou viagens à China a cinco altos quadros da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde

A empresa pública Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) já fez onze contratos com a NOS, num valor total que ultrapassa os 400 mil euros, desde que a empresa pagou, a cinco altos quadros da empresa, viagens à China, em junho de 2015.

De acordo com o ECO, a relação comercial agora descoberta pode ser importante para a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que está a investigar que empresas privadas pagaram viagens a membros do quadro do Estado.

Grande parte dos contratos entre as duas entidades estão relacionados com serviços para a SPMS e foram quase sempre por ajuste direto. Os dados estão no portal Base, que tem os contratos celebrados por entidades públicas e revela que o contrato de valor mais elevado é de 31 de maio deste ano, com a SPMS a pagar mais de 116 mil euros à NOS.

De acordo com os documentos vistos pelo ECO, a SPMS pagou à NOS mais de 408 mil euros desde junho de 2015.

NOS gastou mais de 12.500 euros nas viagens à China

A viagem decorreu entre os dias 2 e 15 de junho de 2015. Os cinco alto quadros dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde foram em classe económica pela companhia aérea Emirates para a China, com outras nove pessoas que fazem parte dos grupos Lusíadas Saúde, Luz Saúde e Mello Saúde.

A NOS pagou 12.516 euros pelas viagens, segundo o ECO.

Os alto quadros são Artur Trindade Mimoso, vogal executivo do conselho de administração, Nuno Lucas, diretor de sistemas de informação, Ana Maurício, diretora de comunicação, Rui Gomes, diretor de sistemas de informação e Rute Belchior, diretora de compras.

O Ministério da Saúde pediu à Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) para averiguar os factos relacionados com a viagem.

"O Ministério da Saúde pediu a intervenção da IGAS para averiguação dos factos e apuramento de eventuais responsabilidades", disse à agência Lusa fonte do Ministério da Saúde.

O Ministério das Finanças, por sua vez, afirmou estar em curso um inquérito da Autoridade Tributária.

Em fevereiro de 2015, outro destacado funcionário do Estado, Carlos Santos, da AT, viajou para a China "com tudo pago".

Finanças e Saúde averiguam viagens de altos quadros pagas por empresa chinesa

A notícia foi avançada na edição em papel do semanário Expresso, segundo o qual uma associada da Huawei pagou os custos das viagens de avião e da estada na China a seis funcionários dos ministérios da Saúde e das Finanças, em 2015.

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