Moody"s pode avaliar rating de Portugal antes do previsto

A agência prevê reavaliar Portugal no início de 2018, mas pode fazê-lo mais cedo. Standard & Poor"s admite poder subir o rating de novo em 2018

A Moody"s pode reavaliar o rating de Portugal antes do previsto. A agência de notação da dívida - uma das três principais a nível mundial, a par da Standard & Poor"s e da Fitch - prevê pronunciar-se sobre Portugal no início de 2018, mas, questionado pelo DN/Dinheiro Vivo, um porta-voz da agência lembrou que a Moody"s pode alterar o calendário em certas circunstâncias. "Os desvios do calendário de anúncios relativos a dívida soberana são permitidos em situações em que a manutenção da classificação no nível existente possa dar uma impressão falsa ou enganosa sobre a opinião atual da Moody"s Investors Service sobre a credibilidade da entidade relevante ou da dívida", explica.

A Fitch tem agendada a sua próxima avaliação de Portugal para 15 de dezembro. Contactada, garante que essa data se mantém. A 20 de outubro, a DBRS pronuncia-se sobre Portugal. Esta é a única agência de rating das quatro consideradas pelo Banco Central Europeu que mantinha Portugal com um grau de investimento. A S&P, por seu lado, apesar da elevada dívida pública portuguesa, garante que "há outros fatores que poderão permitir uma nova subida do rating em 2018", afirmou Marko Mrsnik, analista principal para a dívida soberana.

Mercados reagem em força

Na sexta-feira, a Standard & Poor"s surpreendeu tudo e todos com uma subida do rating que tirou Portugal do nível de "lixo". Nos mercados, a reação foi forte, como esperado pelos analistas, com os juros da dívida soberana portuguesa a dez anos a descerem 35 pontos-base para os níveis mais baixos desde janeiro de 2016. A queda foi a maior desde fevereiro do ano passado. O prémio de risco (spread) face à Alemanha desceu abaixo do nível dos 200 pontos-base pela primeira vez desde dezembro de 2015.

"O efeito foi fortemente positivo, dado que a melhoria da notação de crédito foi inesperada", referiu Steven Santos, gestor do BiG. "O momentum positivo para a dívida soberana portuguesa pode continuar no curto prazo. Adicionalmente, o governo deverá atrair melhores condições de financiamento para reembolsar os empréstimos mais caros do Fundo Monetário Internacional", acrescentou Rainer Guntermann, analista do Commerzbank ao DN/Dinheiro Vivo. "Este passo da S&P não é, contudo, suficiente para reinstalar a total elegibilidade da dívida soberana portuguesa. Os índices iBoxx, por exemplo, requerem um rating médio de "grau de investimento" por parte da Moody"s, Fitch e S&P", alertou.

Para Stefan Hotfrichter, economista-chefe da AllianzGI, as implicações desta subida de rating não são muito claras. "Há que esperar para ver se os spreads face à dívida alemã vão continuar a diminuir quando o BCE começar a diminuir as compras de dívida", afirmou. Albino Oliveira, gestor da Patris, acredita, no entanto, que os juros da dívida portuguesa irão aproximar-se dos da Itália.

No radar, estão agora eventuais novas subidas de rating. "Mantendo Portugal a mesma trajetória, novas revisões se seguirão", apontou José Lagarto, responsável de análise da Orey iTrade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG