Moody's deita balde de água fria e mantém país no lixo

Ontem, a canadiana DBRS, que nunca classificou a dívida portuguesa como mau ativo, promoveu um pouco mais o país. Já a Moody"s manteve tudo: dívida soberana continua arriscada

Contra a maioria das expectativas dos analistas que anteviam uma avaliação positiva da Moody's, em que esta ontem retiraria finalmente, volvidos quase sete anos, a dívida portuguesa de uma notação de lixo, a da agência de rating manteve tudo.

Ontem à noite a DBRS promoveu o país (subiu a nota do crédito soberano português em mais um nível), mas a Moody"s manteve intacta a sua avaliação. Continua a considerar a dívida portuguesa como arriscada, um ativo especulativo, de baixa qualidade. Lixo, na gíria dos mercados. Assim é desde julho de 2011.

Em todo o caso, ao decidir não avaliar ontem Portugal, a Moody"s também manteve a perspetiva sobre a evolução futura do rating (outlook) num patamar positivo, o que significa que dentro de meses (a próxima avaliação da Moody"s a Portugal está agendada para 12 de outubro, mesmo nas vésperas do Orçamento do Estado de 2019) pode surgir finalmente a boa-nova: que todas as agências de rating (as quatro principais) consideram o crédito público um ativo com qualidade aceitável.

Este silêncio da Moody's acabou por ser bastante ruidoso e ir contra o que muitos julgavam quase adquirido: que haveria promoção. O consenso dos agentes no mercado apontava para que Portugal conseguisse o pleno dos ratings com grau de investimento. Não foi assim, pelo que a decisão da Moody"s de deixar tudo na mesma pode levar a algum impacto nas taxas portuguesas, que já estavam a incorporar a subida do rating pela agência. Alguns investidores poderão ter sido apanhados de surpresa por isto mesmo.

Ainda assim, se houver algum impacto nos juros, ele não deverá ser significativo. A equipa de estudos do BiG disse ao DN/Dinheiro Vivo, antes de a Moody's decidir adiar a avaliação, que "o maior impacto através das decisões da notação já foi realizado com a segunda notação de investment grade (grau de investimento) por parte da Fitch em dezembro de 2017, a qual permitiu a reentrada da dívida portuguesa nos principais índices internacionais de obrigações públicas".

Claro que, se a Moody's tivesse puxado Portugal para cima agora, isso seria bom, mesmo com o referido efeito de desconto nos preços atuais das obrigações. Nesse sentido, a equipa do BBVA, citada pela Reuters, observou que a subida de um nível que fosse na nota da dívida soberana ontem poderia alargar ainda mais o leque de investidores em obrigações portuguesas. Abriria as portas de um grande índice de obrigações soberanas, do JP Morgan. Ficará para mais tarde.

Como referido, a DBRS decidiu continuar a tratar bem Portugal: o seu rating passou a ser igual ao da Fitch, estando dois níveis acima de lixo. A redução da dívida, o crescimento da economia e a diminuição no malparado foram os principais motivos apontados pela agência canadiana.

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